Sérgio Gibim Ortega
Querendo
contribuir para este livro de Votuporanga, veio-me à ideia de falar um pouco da
minha adolescência dos Anos 80.
Cheguei
a Votuporanga em 1979, morava no Bairro Chácara Aviação, chamado por esse nome,
segundo moradores, era que antigamente tinha um campo de Avião no local.
Recordo-me que não era asfaltado, não só este, como outros bairros vizinhos
também. Era grandes terrenos sem lotear ainda. O asfalto que seguia centro
bairro, na rua principal, Padre Isidoro Cordeiro Paranhos, era asfaltada até as
proximidades do Supermercado Golfinho, supermercado da época. Passou outro
Supermercado, hoje no local uma igreja evangélica.
Nós
crianças adolescentes, nesta época corríamos vários bairros, e muitos lugares
sem asfaltos, sem galerias e a até falta d água. Os bairros ainda tinham
pouquíssimas casas, e tudo era mato. Dentro dos anos 80, Votuporanga cresceu
muito no asfalto, que chegará até meu bairro Chácara da Aviação.
Nós
íamos ao Corguinho pegar peixinhos coloridos com a peneira. Descia entre o
bairro Santo Dumont e Vila América Corguinho esse com grande barranco, água era
bem limpa naquele tempo. A gente conseguia ver os peixinhos no fundo d’água.
Dali
para o Bairro Campo limpo em tempos passados passou ali uma linha de ferro
antigamente, e que mais tarde foi mudada para a Estação da FEPASA onde é hoje.
Prova disto tinha lá um vagão velho de trem que nós brincávamos dentro dele.
Mais para baixo, outro Corguinho que hoje ainda tem na saída da avenida ali do
Tiro de guerra, bem na decida. E baixo rumo do velho cemitério da cidade,
depois deste Corguinho, tinha ali uma Velha Olaria. Funcionava a fabricação de
tijolos naquele tempo.
Voltando
a falar mais de vagões de trem, me recordo que nós íamos a uma lanchonete na
cidade, situadas na Rua Itacolomy, esquina com a Rua São Paulo. A Lanchonete
era conhecida como “O trem do lazão”. Ali tinha dois vagões de trem, e
vendiam-se muitos lanches, era um local que nos deixou saudade. Mais próximo
dali, um salão de Baile, na Rua Bahia, quase esquina com a Rua Itacolomy, hoje
lá “ANCEVO” Associação Nipo Cultural e Esportivo de Votuporanga. Ali o forró
comia quente. Por se lembrar de Bailes na cidade, tinha um na Avenida da
Estação, tal de Carimbol. Hoje ainda parece ter bailes lá. Outro salão no
Bairro Paineiras. Lá conhecido como “Preguinho”. Hoje uma mecânica de carros e
metalúrgica funciona ali, situado Rua dos Ipês.
Recordo
ainda mais da velha Estação FEPASA – o Trem de ferro, e nós íamos aos bailes em
Valentim Gentil. Foi poucas vezes que andei de Trem. Mas foi o que ficou na
história aos Votuporanguenses. Hoje, a Estação é praticamente quase a mesma, e
só existem agora só trens de carga que passam por ali.
Recordo-me
de trabalhar com meu pai, com vendedor ambulante naquele tempo. Íamos aos
salões de Bailes também, e vendermos pipoca num salão da Rua Pernambuco,
esquina com Rua Tiete, hoje no Local a Realpec Agro Negócios. Naquela época,
este salão recebeu Chitãozinho e Xororó quase no início de sua carreira, teve
ali grandes bailes. E deles ainda trago um autógrafo na foto de Chitãozinho e
Xororó.
Íamos
também vender pipocas defronte a Igreja Assembleia de Deus, que já tinha nos
anos 80 na Rua Padre Isidoro Cordeiro Paranhos, e hoje funciona no mesmo lugar
com um prédio bem mais amplo.
Eu e
meu pai, íamos vender também lanches defronte o Assary Clube de Campo. Naquela
época, tinha ali grande chácara, e o velho salão. Tocava ainda as marchinhas
antigas de carnaval. Era muito legal. Com saudade, recordo-me da Cantora
Alcione, cabelo grande daquela época, pouquíssimo sucesso ainda, a vi descer do
ônibus bem ali mesmo no meio da rua, com três pessoas apenas, e entrou a pé até
o salão do Assary, aonde cantou quase à noite toda. No fim da noite, o povo
saia do Assary todo esfomeados e o nosso lanche não dava pro começo. Na famosa
Avenida do Assary, não tinha lanchonetes, nem movimentos como tem hoje. Depois
íamos embora, empurrando naquela Avenida acima o carrinho.
Do
Assary ao meu bairro, aproximadamente três quilômetros e sempre que passávamos
no bairro, que hoje é Friozi, as ruas de terras, e muito mato alto, onde ali
passávamos com muito medo de malandros escondidos, e chegávamos ver pessoas
escondidas nesse matagal. Ali brincávamos naquele tempo ainda numa gigantesca
seringueira antiga, quase na esquina, hoje Rua Lidai Benini, com Alfredo
Rodrigues Simões. Subíamos no pé desta árvore para tirar fisgo das suas folhas,
para fazer bolinhas de estilingue. Tinha ali também uma casa velha desmanchada
e um mistério; diziam que era mau assombrado este lugar. Se foi, acredito não
ser mais. Ninguém mais ouve falar deste lugar assombrado. Hoje ali, um bairro
muito bonito, de classe média. Bem do lado do Supermercado Proença, que agora
se instala ali. Quem pode dizer que mudou tanto.
Tinha
neste bairro ainda, além desta seringueira, uma velha chácara de amoreiras,
para o bicho da seda que existia ali nas proximidades de uma conhecida Senhora
chamada Miquilina.
Meu
pai vendia cachorro quente, e andava a cidade toda mesmo. Ele ia também vender
até na Vila Formosa, a casa das mulheradas. E por isso meu pai ficou quase
conhecido por todos visitantes deste lugar. Lá ele não me levava. E as vezes
abandonava o carrinho e..., o pau torava.
Meu
pai, naquela época andava muito. E me recordo que fomos a Vila Parisi vender
lanches. Na volta, voltávamos empurrando aquele carrinho por estrada de terra.
Hoje, este trajeto é todo asfaltado.
Interessante
e que observo hoje, que aquela época só tinha três carinhos de lanches mesmo em
Votuporanga, o Guarda Belo - falecido, meu pai e o conhecido “Davi”, foi o
lanche mais conhecido pelos Votuporanguenses. Seus lanches foram simples, mesmo
quando surgiu o cachorro quente feito na chapa quente. Naquele tempo o lanche
era feito sem a chapa mesmo, e mesmo assim dava trabalho pra vender lanches.
Interessante que hoje tem muito lanche mesmo, e até em residências. Votuporanga
cresceu pra valer. Mas Davi fez sucessos com seus lanches, e ninguém descobriu
o segredo da receita.
Com
saudade dos velhos tempos de minha adolescência vou terminando aqui, esperando
ter passado um pouquinho do meu tempo na História de Votuporanga.