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quarta-feira, 4 de julho de 2012

VOTUPORANGA NA MINHA ADOLECÊNCIA


                Sérgio Gibim Ortega

Querendo contribuir para este livro de Votuporanga, veio-me à ideia de falar um pouco da minha adolescência dos Anos 80.
Cheguei a Votuporanga em 1979, morava no Bairro Chácara Aviação, chamado por esse nome, segundo moradores, era que antigamente tinha um campo de Avião no local. Recordo-me que não era asfaltado, não só este, como outros bairros vizinhos também. Era grandes terrenos sem lotear ainda. O asfalto que seguia centro bairro, na rua principal, Padre Isidoro Cordeiro Paranhos, era asfaltada até as proximidades do Supermercado Golfinho, supermercado da época. Passou outro Supermercado, hoje no local uma igreja evangélica.
Nós crianças adolescentes, nesta época corríamos vários bairros, e muitos lugares sem asfaltos, sem galerias e a até falta d água. Os bairros ainda tinham pouquíssimas casas, e tudo era mato. Dentro dos anos 80, Votuporanga cresceu muito no asfalto, que chegará até meu bairro Chácara da Aviação.
Nós íamos ao Corguinho pegar peixinhos coloridos com a peneira. Descia entre o bairro Santo Dumont e Vila América Corguinho esse com grande barranco, água era bem limpa naquele tempo. A gente conseguia ver os peixinhos no fundo d’água.
Dali para o Bairro Campo limpo em tempos passados passou ali uma linha de ferro antigamente, e que mais tarde foi mudada para a Estação da FEPASA onde é hoje. Prova disto tinha lá um vagão velho de trem que nós brincávamos dentro dele. Mais para baixo, outro Corguinho que hoje ainda tem na saída da avenida ali do Tiro de guerra, bem na decida. E baixo rumo do velho cemitério da cidade, depois deste Corguinho, tinha ali uma Velha Olaria. Funcionava a fabricação de tijolos naquele tempo.
Voltando a falar mais de vagões de trem, me recordo que nós íamos a uma lanchonete na cidade, situadas na Rua Itacolomy, esquina com a Rua São Paulo. A Lanchonete era conhecida como “O trem do lazão”. Ali tinha dois vagões de trem, e vendiam-se muitos lanches, era um local que nos deixou saudade. Mais próximo dali, um salão de Baile, na Rua Bahia, quase esquina com a Rua Itacolomy, hoje lá “ANCEVO” Associação Nipo Cultural e Esportivo de Votuporanga. Ali o forró comia quente. Por se lembrar de Bailes na cidade, tinha um na Avenida da Estação, tal de Carimbol. Hoje ainda parece ter bailes lá. Outro salão no Bairro Paineiras. Lá conhecido como “Preguinho”. Hoje uma mecânica de carros e metalúrgica funciona ali, situado Rua dos Ipês.
Recordo ainda mais da velha Estação FEPASA – o Trem de ferro, e nós íamos aos bailes em Valentim Gentil. Foi poucas vezes que andei de Trem. Mas foi o que ficou na história aos Votuporanguenses. Hoje, a Estação é praticamente quase a mesma, e só existem agora só trens de carga que passam por ali.
Recordo-me de trabalhar com meu pai, com vendedor ambulante naquele tempo. Íamos aos salões de Bailes também, e vendermos pipoca num salão da Rua Pernambuco, esquina com Rua Tiete, hoje no Local a Realpec Agro Negócios. Naquela época, este salão recebeu Chitãozinho e Xororó quase no início de sua carreira, teve ali grandes bailes. E deles ainda trago um autógrafo na foto de Chitãozinho e Xororó.
Íamos também vender pipocas defronte a Igreja Assembleia de Deus, que já tinha nos anos 80 na Rua Padre Isidoro Cordeiro Paranhos, e hoje funciona no mesmo lugar com um prédio bem mais amplo.
Eu e meu pai, íamos vender também lanches defronte o Assary Clube de Campo. Naquela época, tinha ali grande chácara, e o velho salão. Tocava ainda as marchinhas antigas de carnaval. Era muito legal. Com saudade, recordo-me da Cantora Alcione, cabelo grande daquela época, pouquíssimo sucesso ainda, a vi descer do ônibus bem ali mesmo no meio da rua, com três pessoas apenas, e entrou a pé até o salão do Assary, aonde cantou quase à noite toda. No fim da noite, o povo saia do Assary todo esfomeados e o nosso lanche não dava pro começo. Na famosa Avenida do Assary, não tinha lanchonetes, nem movimentos como tem hoje. Depois íamos embora, empurrando naquela Avenida acima o carrinho.
Do Assary ao meu bairro, aproximadamente três quilômetros e sempre que passávamos no bairro, que hoje é Friozi, as ruas de terras, e muito mato alto, onde ali passávamos com muito medo de malandros escondidos, e chegávamos ver pessoas escondidas nesse matagal. Ali brincávamos naquele tempo ainda numa gigantesca seringueira antiga, quase na esquina, hoje Rua Lidai Benini, com Alfredo Rodrigues Simões. Subíamos no pé desta árvore para tirar fisgo das suas folhas, para fazer bolinhas de estilingue. Tinha ali também uma casa velha desmanchada e um mistério; diziam que era mau assombrado este lugar. Se foi, acredito não ser mais. Ninguém mais ouve falar deste lugar assombrado. Hoje ali, um bairro muito bonito, de classe média. Bem do lado do Supermercado Proença, que agora se instala ali. Quem pode dizer que mudou tanto.
Tinha neste bairro ainda, além desta seringueira, uma velha chácara de amoreiras, para o bicho da seda que existia ali nas proximidades de uma conhecida Senhora chamada Miquilina.
Meu pai vendia cachorro quente, e andava a cidade toda mesmo. Ele ia também vender até na Vila Formosa, a casa das mulheradas. E por isso meu pai ficou quase conhecido por todos visitantes deste lugar. Lá ele não me levava. E as vezes abandonava o carrinho e..., o pau torava.
Meu pai, naquela época andava muito. E me recordo que fomos a Vila Parisi vender lanches. Na volta, voltávamos empurrando aquele carrinho por estrada de terra. Hoje, este trajeto é todo asfaltado.
Interessante e que observo hoje, que aquela época só tinha três carinhos de lanches mesmo em Votuporanga, o Guarda Belo - falecido, meu pai e o conhecido “Davi”, foi o lanche mais conhecido pelos Votuporanguenses. Seus lanches foram simples, mesmo quando surgiu o cachorro quente feito na chapa quente. Naquele tempo o lanche era feito sem a chapa mesmo, e mesmo assim dava trabalho pra vender lanches. Interessante que hoje tem muito lanche mesmo, e até em residências. Votuporanga cresceu pra valer. Mas Davi fez sucessos com seus lanches, e ninguém descobriu o segredo da receita.
Com saudade dos velhos tempos de minha adolescência vou terminando aqui, esperando ter passado um pouquinho do meu tempo na História de Votuporanga.

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