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terça-feira, 6 de setembro de 2011

DESENGANOS DO ESCRITOR INDEPENDENTE


Carlos Lúcio Gontijo

Nos últimos meses, fomos convocados para a elaboração de vários prefácios destinados a livros editados de maneira independente, com os autores custeando a cara impressão de sua obra. Jamais nos passou pela mente qualquer negativa, pois bem sabemos das dificuldades enfrentadas pelos autores independentes, que são explorados tanto pelos abusivos preços estabelecidos pelo setor gráfico quanto por sanguessugas – os eternos oportunistas e aproveitadores de plantão, que habitualmente procuram pegar alguma carona no esforço alheio.

Depois, uma vez lançado o livro, que geralmente não proporciona retorno financeiro algum, deixando ao escriba apenas a impagável sensação de contentamento e dever cumprido com ele mesmo, sob a certeza de que a arte literária não é fio condutor de sucesso de geração espontânea ou imediata, ficando à mercê da análise do tempo, o autor é quase sempre convidado a tomar assento em academias de letras, que são muitas e nos mais variados matizes (e motivações) Brasil afora.

Nós mesmos somos membros de algumas academias (ALB-MARIANA, AVSPE, ACADSAL, ALTO, Poetas del Mundo), porém todas elas têm a ver com nossa trajetória e nelas inserimos nosso nome dispostos a honrá-las com a continuidade do trabalho literário que nos conduziu à deferência do chamamento. Ou seja, não nos colocamos dispostos ao exercício de atividades que nos subtraiam o foco, afastando-nos do caminho de constante criação que nos possibilitou a edição de 13 livros e, agora, a preparação do romance “Quando a vez é do mar”, para o ano que vem.

Da nossa parte, nos consideramos bastante bafejados pela sorte, pois conseguimos nos cercar de bons, honestos e sensíveis profissionais, como é o caso dos ilustradores Nivaldo Martins, Evandro Luiz, Nelson Flores, Quinho, Renato Iglésias, Ana Carolina Soares; a revisora Berenicy Raelmy, o mestre em informática Tomás Duarte Murta, que presta assistência ao nosso site, e tantas outras pessoas de elevado caráter. Muitos são os novos autores independentes, marinheiros de primeira viagem, que padecem nas mãos de divulgadores, diagramadores, ilustradores e gráficos inescrupulosos, que, por não serem movidos pela chama do idealismo (e, acima de tudo, desinformados), avançam no “bolso” roto dos talentosos, desprendidos e compromissados artistas da palavra, que ousam investir em seu sonho.

Deparamo-nos, ao longo de nossa caminhada literária, com gente que se dizia poeta e que descobrimos ostentar rica conta bancária, mas, entretanto, não se dispunha a arriscar nem apostar qualquer tostão de sua polpuda aplicação financeira no talento de que se proclamava detentora e que lhe outorgava o direito de dar palpite, criticar e se intrometer até em lançamento de livro para o qual em nada concorreu. Contudo, para compensar, encontramos no âmbito da literatura pessoas dotadas de dignidade e comportamento ético, como Terezinha Casasanta, Regina Morelo, Luiz Cláudio dos Santos, João Silva de Souza, Ádlei Carvalho, Harildo Norberto Ferreira, Efigênia Coutinho, Andréia Leal, Delasnieve Daspet, Antônio Fonseca, Sulamita Coelho, José Estanislau Filho, Ieda Alkimim e tantos outros mais, numa prova de que nem tudo está definitivamente perdido.

É objetivo quase impraticável misturar-se ao meio cultural sem se machucar amargamente por dentro com a mesquinharia dos confrontos e despropositadas exclusões ou afastamentos sumários semeados pelo disse me disse de grupelhos e pelas famigeradas “igrejinhas” literárias, onde os sinos da vaidade, do egoísmo e da arrogância jamais param de tanger e as fotos nos mostram sempre a mesma patota e os mesmos cenários subsidiados geralmente com recursos públicos.

Evidentemente, como acima registrei, existe gente boa no meio cultural, todavia, como em qualquer outra área, é preciso ir devagar com o andor, pois a palavra, como o santo, é de barro avivado pelo sopro mágico da poesia, podendo quebrar-se por atitudes e atos errôneos, ou equivocados, que levem em conta apenas o predomínio do brilho material, como se deu recentemente com a direção da Academia Brasileira de Letras, que contemplou o jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho com medalha, em ruidosa sessão solene. E, convenhamos, caros leitores e leitoras, se assim é na festejada e pomposa ABL, imaginemos nas demais entidades em que se abriga uma promissora gama de bons poetas e escritores brasileiros!

Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

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