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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

BIENAL DO LIVRO


José Carlos Pontes

É lamentável que a Bienal do Livro seja apenas uma enorme feira de livros, onde o importante é o lucro.
Ela tem objetivo estritamente comercial. É lamentável, pois o público que foi visitá-la bateu recorde, passando dos 700 mil. Eu fui no domingo e fiquei decepcionado. Fico contente por perceber que uma multidão de brasileiros, que todos dizem não gostar de ler, foi até lá. Isto é uma prova que brasileiro quer ler, mesmo que não seja na mesma proporção dos europeus. Não dá para andar, para olhar, para conversar com os editores. É como se você estivesse na 25 de março, na véspera do Natal. É um grande tumulto. O resultado foi que saí de lá com as mãos vazias, mesmo depois de ter pago R$ 25,00 para estacionar o carro. Bienal do livro é coisa para elite. Uma água lá dentro custa R$ 3,00. Preço de aeroporto internacional.
Pensei que pudesse assistir palestras interessantes e me deparar com novidades. Mas as poucas, para não dizer raras, palestras estavam entupidas de gente e sem qualquer interesse. Enquanto estive no local ouvi anunciar duas palestras que não levam a nada. Uma delas era com um ator. É uma pena.
Já ouvi criticas a respeito deste viés mercantilista da Bienal, mas não sabia que era tanto. É coisa para ir não voltar mais. Não se acrescenta nada, não se vê nada importante, só gente querendo vender livros e mais livros. Uma das estantes mais movimentadas era do Sebo do Messias, um enorme sebo que você pode visitar através do site a qualquer hora. Isto mostra que o importante era o preço e não a qualidade, a troca de idéias e as novidades.
Outra coisa que me chamou atenção foi o enorme número de títulos religiosos e de auto ajuda. É uma febre. Muitos livros para crianças e gente entupindo o corredor. Gente que não acaba mais.
É triste ver que uma feira que tem apenas o intuito comercial seja chamada de bienal. Mas como é a Alcântara Machado que organiza, não se deve esperar muito, pois esta empresa é famosa em querer tudo para ela e não dar nada em troca. Assim, para eles o importante são os milhões que arrecadam e a qualidade que vá para o espaço. É uma pena.
Pra ser sincero, as bienais de Rio Preto são muito mais interessantes, tranqüilas e saudáveis.
publicação autorizada
José Carlos Pontes
criadordesaci@gmail.com

Um comentário:

Sérgio Gibim Ortega disse...

Meu amigo José Carlos Pontes, me interessei muito em mostrar este artigo seu para meus leitores, já que eu também como escritor, que não conhecia a bienal, não tinha também esta noção e vc esplicou muito bem o que é a bienal.
Parabéns

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