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sábado, 15 de maio de 2010

A DUPLA FACE DO PODER

ROBERTO MARTINS (VOTUPORANGA)


A mobilização popular e a discussão dos problemas que afetam a coletividade em geral, normalmente são sufocadas pelos interesses que se escondem por trás de ações que coordenam grupos e pessoas com interesses diretos na permanência da prática que pretendem perpetuar. A ferramenta usada nesta mobilização é a política. Na nossa vida, tudo é decidido por uma resolução política. É a política de tudo e em tudo, que decide até a cor do papel higiênico com que limpamos à bunda. Senão, por que os fabricantes gastariam tinta para tingir papel higiênico de verde ou de rosa? É a política de marketing quem decidiu que um papel higiênico rosa é comercialmente mais viável, pois insinua o frescor de um jardim, ou o verde, um papel higiênico ecologicamente engajado nas tão propagadas e urgentes necessidades ambientais, mesmo o próprio produto e a sua utilidade estando em confronto direto com as intenções do marketing.

Quanto existe uma ação política em disputa, todos os mínimos movimentos no jogo do poder devem ser minuciosamente examinados. Nesta óbvia lógica, depois de muitas edições de uma prática corriqueira absolutamente nociva para a coletividade votuporanguense, que são as festas “open bar”, adotadas nas pequenas reuniões festivas promovidas por promotores profissionais de eventos (já que depois de encostarem-se a este nicho, não mais se dedicam a qualquer outro ofício) e no grande evento esperado por alguns dos locais e, por legiões de migrantes que migram de outras cidades e estados com destino aqui pra nossa cidade, perpetua-se um carnaval de desordem, perversões, desobediência as boas maneiras e aos princípios da boa convivência mútua, além é claro das tantas desobediências das leis em vigor. Fatos estes que já presenciamos ao longo destas edições do CARNAVOTU. Estas versões repudiadas pelas pessoas de bem de Votuporanga, seguiram patrocinando e incentivando a iniciação de jovens inexperientes ao delirante caminho do vício em bebidas alcoólicas e por outras drogas mais comprometedoras que conseguem acesso fácil neste tipo de evento. Estas festas produzem muitos dividendos financeiros, mas o que a fez perdurar de fato, foram os inesgotáveis dividendos políticos que brotam desta relação libertina.

Vivemos numa coletividade estimada em um número próximo de 90.000 habitantes. Desse total – Quantos são os que realmente estão ganhando com a festa nos moldes em que esta está sendo realizada? Se fizermos uma relação oficial, não passarão de cem nomes envolvidos diretamente nos lucros desta orgia. Depois vem os três ou quatro mil que se endividam neste ciclo de orgia para a aquisição de um pacote desvirtuoso que lhes garantirão bebidas e perversidades ilimitadas até que se passe mal e, tenha que se dirigir ao plantão da Santa Casa para receber tratamento médico, congestionando todo o atendimento da unidade de pronto atendimento municipal – Este tem sido o conceito de diversão emplacado nestas festas. E o que é feito dos outros tantos mil habitantes que pagam esta conta insana? Alguns até tentaram manifestar suas opiniões publicamente, mas o espaço é pouco e direcionado aos menos inflamados. A grande maioria então está calada, esperando pelas decisões daqueles que deveriam se mover pelas nossas aspirações, mas sabedores que são desta nossa inércia, se aproveitam para fazer joguetes e organizar métodos e maneiras de tornar a sentença deles legítima.

Nesta linha, o prefeito organizou uma comissão de notáveis (???) para estudar o caso, tirando o dele (?) da reta. A Promotoria Pública, com alguns anos de atraso, se declara contrária a esta prática e, se embasa em dados e números que nunca antes fora divulgados, também numa clara manobra para esquivar-se do peso da omissão passada. Sobraram então os festeiros e simpatizantes para liquidar a fatura, dando ares de representatividade e de legitimidade neste ilusório debate público (?) que ora se desenrola com a intensa participação e clamor popular (?). Em meio a tantas interrogações e alguns abestalhados, falsos santos que se postam de quatro diante de lerdos andores, com a justificativa de serem de barro, assim lançaram uma grande consulta popular que legitimará a permanência da orgia no site oficial dos festeiros. Lá os signatários do espaço virtual conclamam os visitantes e simpatizantes da orgia a os apoiarem, assinando um abaixo-assinado virtual. Vejam como agem os astutos coordenadores de mentes desabitadas para conseguirem apoio numérico para a imoralidade deles: No http://www.carnavotu.com.br/openbar/index.php - ASSINE SE FOR CONTRA A LEI QUE PROÍBE EVENTOS OPEN BAR EM VOTUPORANGA/SP

Ministério Público de Votuporanga enviou ofício à Câmara de Vereadores, propondo a criação de uma lei que proíbe a realização de festas open bar em nossa cidade.
Isso acontecendo, festas como o Bloco Oba e o Carnavotu não poderão mais ocorrer em Votuporanga/SP.

Se você é contra essa lei, preencha o formulário abaixo: ...

Eles estão convocando o exército de foliões de todo Brasil para o apoio pelo Twitter, que certamente se reproduzirá feito vírus. Se nos calarmos, eles ganham novamente e continuarão a nos sacudir as rédeas sobre as costas, guiando-nos pelos caminhos que bem entendem, caminhos estes que nos levará a uma estrada sem saída, a mesma que muitos integrantes deste grupo já se encontram estagnados e ainda não se deram conta.

A hora é agora. Se continuarmos separados por estas nossas barreiras invisíveis que, tanto criam o impedimento da nossa caminhada por um sentido único, eles vencerão.

Evangélicos, em suma, pela própria obediência das crenças advindas do conhecimento e do rigor do Evangelho, se acham protegidos por este mal, mas eu conheço evangélicos que cheiram cocaína antes de ir ao encontro do Senhor, então não estão livres deste mal.

Católicos e outras crenças mais aliviadas nos rigores do Evangelho, estes estão completamente à mercê dos acontecimentos.

É hora de nos unirmos para o bem de todos. Precisamos proteger nossos jovens e dotá-los de conteúdo moral, cultural e intelectual, não cedendo espaço para a banalidade regada a muito teor alcoólico, perversão liberada e outras concessões explosivas, onde o pavio final será incinerado na encruzilhada sem saída de um cachimbo de crack. Esta será nossa pena capital pelo nosso descaso e a nossa desatenção pelo que está acontecendo a nossa volta. O nosso castigo será verificarmos que a única poesia repetida incansavelmente pela bagagem cultural carregada pelos nossos filhos e netos, será o maravilhoso poema musicado pelo Psirico, em ritmo de axé. Pelo Grupo Kaçamba no forró. Pelos sertanejos Zé Mané & Zé Ruéla e nas outras tantas vertentes rítmicas brasileira.

Ela sai de saia

De bicicletinha

Uma mão vai no guidon

E a outra tapando a calcinha (bis)

Eu não estou propondo um abaixo-assinado aqui no blog, porque sei que o universo esclarecido que freqüenta e tem acesso ao mundo da Internet, não representa uma parcela significativa da sociedade. Mas eu gostaria de fazer um apelo às lideranças religiosas locais. Que mobilizem os vossos exércitos de fiéis no sentido de pressionar as autoridades, principalmente o Poder Legislativo e proibir esta insanidade travestida de liberdade incondicional. Precisamos de um debate onde todos os prós e contras possam ser colocados claramente pra que a maioria tenha poder de decisão. Se a legalidade for definida desta forma, com a participação dos vários seguimentos da sociedade, o que nos resta e lavarmos as mãos e cuidarmos só dos nossos, o que já será uma tarefa bastante árdua.

Eu estou aqui me colocando absoluta e imutavelmente contra o sistema open bar e ao Carnavotu da forma como tem acontecido nas edições passadas. Este é o meu documento e a minha forma de dizer que quando esta fatura for emitida para a população votuporanguense, esta será minha arma para direcionar esta fatura para os verdadeiros devedores.

A política precisa ser usada para nos incluir nas suas decisões, não para legalizar as suas ações sórdidas.

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