VOTUPORANGA-SP / MARÇO DE 2025
RESPONSÁVEL: Sérgio Gibim Ortega
CONTATO: poetagibim@hotmail.com

quinta-feira, 4 de abril de 2024

SUPERAÇÃO

Sérgio Gibim Ortéga

          Hoje eu estou tentando andar de motocicleta, o muito que já andei na minha vida e ela foi meu ganha pão nas Casas Bahia, mas depois de muito tempo sem andar, e velho, estou barberando, não me sinto mais jovem. Mas preciso usar, a gasolina não dá mais de carro. (risos)

           Lembrei então de quando era jovem e tinha coragem, construí a casinha nos fundos dos meus pais. E levei numa bicicleta 20 latas de 20 litros quadradas, cortei com uma faca velha e fiz minha calha no beiral da casa, é claro, que tive que andar empurrando a bicicleta da fábrica até a minha residência. Ganhei as latas vazias da fábrica e sem montar na bicicleta levei aquele monte de latas amarrado em um arame, um trabalhão danado, penduradas na bicicleta velha que eu tinha. Enquanto uma granfina depois de eu morar 12 anos chegou e se instalou na minha casinha porque era terreno de meu pai. De mãos beijadas.

          Depois que meu pai se foi, faleceu as fulanas alugaram ainda com minha mãe viva. E eu, Deus sempre me deu coragem pra seguir avante, ter o meu ganha pão graças a Deus. O pior não foi o dinheiro que perdi, já conformado, só não a saudade de pisar naquela residência e não ver mais a minha casinha que tanto amei me deu a certeza que um dia Deus vai dar o merecido a elas.

          A vida é valiosa pra quem luta e tanto batalha. Mas pra quem vas custas dos outros é muito fácil. Então não tenho mais essa tal superação.

           Agora abri o celular de uma mensagem escrita superação. Não sei se tenho mais superação (triste) É claro que mesmo corpo cansado tive certa superação de sobreviver no Covid 19 entubado já que para mim o que mata é a entubação. Já não acredito mais em superação. A

única coisa é que eu também era dono da herança e tinha direito opinar sobre minha parte juntamente com meus irmãos.

          Não era dinheiro que eu queria, mas se ainda minha mãe está viva era meu direito, e o valor era o ouro do sol e a prata da lua. O amor que eu tinha pelo lugar não tem preço. Enfim, quando minha mãe vier a falecer entenderei que daí é certo. Nem o juiz eu sei que não ia autorizar a vender tudo e nem doar porque alí todos tinham direito. Mas enfim, coloquei nas mãos de Deus. Eu não quis ver tirar todos móveis porque iria chorar muito. Enfim só saudades daquele lugar onde sonho sempre com pessoas estranhas lá, mas que está dentro do meu coração.


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