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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Lançamento de livro é lição de vida

                                               Carlos Lúcio Gontijo
       Nada é mais sério e difícil que a impressão e lançamento de livro no Brasil, principalmente quando se trata de literatura independente, que se materializa sem selo de editora nem a chancela de grandes patrocinadores. Caminhamos sob essa condição desde 1977, mas sem fazer da dificuldade uma pedra intransponível no caminho ou fonte de tristeza tão depressiva a ponto de tirar ou extrair o brilho do exercício do dom da arte da palavra que Deus nos concedeu e nós cuidamos de aprimorar ao longo dos anos, visualizando no lançamento de cada livro uma lição de vida alicerçada na prática do desprendimento.
       Como temos em conta que lançamento de livro é uma festa e que obra literária está acima do próprio autor, projetamos a duras penas “apresentações” de nosso trabalho de escriba menor com música, bebida e algum tira-gosto, na base de algo parecido com o tradicional “parabéns pra você”, pois temos a palavra como uma festiva manifestação do espírito que nos habita. Os que nos acompanham, principalmente nos lançamentos em Belo Horizonte, nossa querida capital de todos os mineiros, sabem dessa nossa preocupação, quando o que normalmente se vê é o autor numa livraria qualquer, sentado solitário num banquinho à beira de uma mesa, ao feitio de cigarro esquecido à borda de um cinzeiro.
      O trabalho duro do autor literário independente não lhe dá tempo para fazer “beicinho” nem se desesperar diante das muitas portas que se lhe mantêm fechadas, uma vez que seu foco deve estar sempre aceso em busca de chamas luzidias e capazes de lhe auxiliarem no cumprimento de sua missão, onde não há espaço nem para glamour nem para curtir mais demoradamente os pequenos detalhes que lhe enluaram os passos, como é o caso de gentil artigo de autoria do escritor e poeta J. Estanislau Filho, inserido no site do Recanto das Letras, tão bem elaborado que levou uma leitora do Rio de Janeiro a nos encomendar um exemplar do romance “Quando a vez é do mar”, que é acompanhado de encarte com uma síntese de nossos livros anteriores, elaborada por Ângela Maria Sales Dias, relações públicas da Escola de Música de Nova Lima/MG.
    São fatos assim que nos movem e nos abastecem com o indispensável combustível do reconhecimento, para que possamos seguir em frente com o nosso trabalho literário num país de tão poucos e escassos leitores. Nesta semana ligamos para a escritora Therezinha Casasanta, pessoa que admiramos pela simplicidade e pela clara visão do mundo em que vivemos nos dias de hoje, predicados que certamente são responsáveis pela grande sensibilidade com que ela orna seus belos livros infantis. Comentamos sobre as crescentes dificuldades que cercam o fazer literário, uma vez que é cada vez mais comum nos depararmos com jovens portadores de curso médio completo e que jamais leram um livro na vida.
       Encontraremos quem jogue a culpa no elevado preço dos livros ou no baixo poder aquisitivo da população, mas é lógico que tal afirmação não está de acordo com a realidade. O filho do homem mais rico do Brasil (Eike Batista), o poderoso jovem Thor, de 22 anos, lembrou-nos a amiga Therezinha Casasanta, revelou em entrevista à imprensa que nunca leu um livro. Enquanto isso, uma jovem de 15 anos, filha de nosso amigo pedreiro Maurício, residente em Contagem/MG, se nos apresenta como leitora de pelo menos dois livros por mês, num gosto pela leitura que a levou a ser uma das primeiras colocadas em prova de acesso ao concorrido CEFET.
       São poucos, mas muito poucos mesmo, os autores tidos como consagrados que vendem mais de 40 livros, durante sessão de autógrafos, em qualquer uma das capitais brasileiras, ainda que sob o apoio de anúncio e reportagem na imprensa. Todavia ninguém toca no assunto, uma vez que todos são importantes demais para admitir tamanho quadro de penúria, que apenas serve para a permanente implantação de inócuos e inconsistentes programas de incentivo à formação de gosto pela leitura, quando nem mesmo os professores leem.
      Enfim, quem está na chuva é para se molhar. Nosso destino é seguir em frente com o nosso trabalho literário de tantos anos e não temos tempo nem espaço para choramingar nem lamentar o leite derramado, quebrando a magia da luz acima da razão que nos leva a produzir literatura em ambiente cultural tão adverso.
     Carlos Lúcio Gontijo
     Poeta, escritor e jornalista

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