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sábado, 17 de julho de 2010

'Veio de tão longe para morrer aqui', diz pai de menino baleado


17/07/2010
Pai pretendia voltar ao Recife no fim do ano letivo, em dezembro.
Menino foi ferido dentro de sala de aula.

Veio de tão longe para morrer aqui". Foi com essas palavras que Ricardo Freire enterrou o filho único Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, de 11 anos, na manhã deste sábado (17) no Cemitério de Irajá, no subúrbio do Rio.

Muito emocionado, ele lamentou que a família veio de Pernambuco para se tornar mais uma vítima da violência no Rio de Janeiro. Segundo Ricardo, o menino nasceu no Recife, e morava no Rio há 4 anos.

O menino foi atingido por uma bala perdida dentro de uma sala de aula no Ciep Rubens Gomes, em Costa Barros, na manhã de sexta-feira (16) e já chegou morto ao Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes. A Polícia Militar fez uma operação na região na manhã de sexta.

Ricardo disse que pretendia voltar ao Recife em dezembro, após o término do ano letivo. Ele contou ainda que seu desejo era que o menino fosse enterrado na cidade pernambucana, mas foi informado de que não haveria tempo hábil para embalsamá-lo a tempo de fazer o translado. O enterro do menino foi pago pelo governo do Rio, disse ele.
Queria saber se quem fez isso está dormindo tranquilo depois de saber que matou uma criança de 11 anos"
Ricardo Freire, pai no menino Wesley

"Queria saber se quem fez isso, quem atirou está dormindo tranquilo depois de saber que matou uma criança de 11 anos", disse o pai.

Segundo um tio do menino, Ricardo estava de férias no Recife e antecipou a volta por causa da morte da criança.

A mãe, muito abalada, não quis falar com a imprensa. Parentes, amigos e professores rezaram , pediram força e o fim da violência. Eles bateram palmas para Wesley e jogaram uma chuva de pétalas de rosas vermelhas e depositaram rosas brancas sobre o caixão.

Vários professores, além de amigos e alunos acompanharam o cortejo. Após o enterro o professor Felipe Ribeiro fez uma roda junto com outros professores e pediu desculpas à família de Wesley por não ter conseguido salvar a vida do menino.

"Senti necessidade de me desculpar, porque queria que a família soubesse que fizemos de tudo para salvá-lo. Liguei insistentemente durante meia hora pedindo uma ambulância e só me diziam que o socorro estava chegando. Só quando liguei para a polícia explicando que o menino já estava ficando arroxeado, eles me disseram para colocá-lo num carro e levá-lo ao hospital", contou Ribeiro, muito emocionado, destacando que duas professoras que tinham carro levaram o aluno até o Hospital Carlos Chagas.

Ao final da cerimônia, a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe), Vera Nepomuceno, se colocou à disposição da família para segundo ela "não deixar a morte da criança passar em vão". Vera disse que representantes do Sepe vão se reunir ainda nesta sábado (17) com um advogado para ver como responsabilizar o governo do estado e o município pela morte de Wesley.

"Já temos uma ação no Ministério Público sobre essas ações violentas da polícia perto das escolas. A Secretaria de Segurança diz que não pode informar sobre as operações policiais para não comprometer o sigilo das ações. Mas não é possível que mais crianças inocentes continuem morrendo por causa da ação da polícia", disse a representante do Sepe.

Exoneração
O comandante do 9º BPM (Rocha Miranda), Fernando Príncipe, foi exonerado na tarde dea sexta-feira (16), depois que o menino foi morto em sala de aula. Na mesma região, homens do 9º BPM faziam uma operação nas favelas da Quitanda, da Lagartixa e da Pedreira, todas perto do Ciep. A PM não confirma que a criança tenha sido atingida durante a operação, mas o comandante geral da PM, Mário Sérgio Duarte, já determinou que caso seja investigado "com celeridade".

De acordo com a assessoria de imprensa da PM, o objetivo da operação era verificar informações do Disque-Denúncia sobre criminosos que estariam nas imediações da Estrada do Camboatá e Avenida Pastor Martin Luther King.
FONTE-G1/GLOBO.COM

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