-VOTUPORANGA-SP / DEZEMBRO DE 2017 - RESPONSÁVEL: Sérgio Gibim Ortega - CONTATO: poetagibim@hotmail.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Alberto Mariano

João Carlos A. Ferreira

2009, que termina hoje, leva entre outros estimados votuporanguenses também o nosso Alberto Mariano de Souza. A sua morte foi a nota triste do Natal. Homem do rádio, decano dos radialistas, um dos locutores pioneiros da cidade, Alberto marcou o seu tempo pelas ondas sonoras da Rádio Clube, como um profissional versátil, bela voz e o seu jeito humilde de ser. Como tantos outros do ramo que fazem da profissão um sacerdócio, ele ganhou projeção no rádio, mas não ganhou dinheiro. Viveu todos os seus dias na labuta cotidiana que caracteriza o perfil dos mais humildes assalariados. Porém, com muita dignidade. Alberto Mariano chegou em Votuporanga no começo dos anos 60 como locutor de um parque de diversões. O parque era a sensação do momento; ponto de encontro da mocidade da época, onde além da roda gigante e barracas de "tiro de rolha" para derrubar maços de cigarros, o grande atrativo era o serviço de alto falante. Alberto Mariano era o locutor que anunciava: "nossa próxima melodia alguém oferece para a moça de vestido preto com provas de amor". O recado era de acordo com o pedido feito (e pago) no guichê do serviço de som. Foram tantos os elogios para a voz do locutor do Parque Oluap (este era o nome), que o Parque foi embora e o Alberto ficou. Famoso pelo sucesso no alto falante, Alberto encontrou emprego na Rádio Clube (a poderosa ZYR-200) que fora inaugurada em 1956 e ainda selecionava talentos locais para a sua equipe de apresentadores. Estreou no rádio comandando um programa musical bem ao estilo do que ele fazia no alto falante. Era o Postal Sonoro onde se pagava para oferecer músicas. Era um sucesso na época. Paralelamente às suas atividades no rádio e preocupado em reforçar o seu salário, ele aceitou proposta para trabalhar no jornal diário que se editava na época. Além de redigir as notas esportivas, Alberto pegou um "osso duro", a revisão" do jornal. É que o jornal naquele tempo era feito no chumbo quente das linotipos e os tipos de chumbo ou madeira eram montados manualmente madrugada adentro. O revisor, no caso dele, muitas vezes cochilava abatido pelo sono e cansaço em cima das provas que recebia para serem corrigidas. Foi um tempo massacrante para aquele pessoal. É dessa época uma famosa "gafe" produzida no jornal onde saiu embaralhado o nome do então governador do Estado. Alberto Mariano pagou pelo erro que ele nunca admitiu ser seu. Sempre sustentou que a correção foi feita mas o pessoal gráfico não alterou na página a mudança das letras feita por ele. E a corda arrebentou para o seu lado. Despedido da empresa a que se dedicava há mais de 15 anos de trabalho, ele foi para Jales onde acertou com a Rádio Cultura local. No dia 15 de novembro de 1977 ele inaugurou com outros colegas de Votuporanga, a Rádio Jornal de Nhandeara. Lá ele comandou o programa da tarde. Gostou tanto de Nhandeara que criou o slogan "Cidade Carinho", que ele pregava em todos os seus programas. Os familiares dele nunca saíram de Votuporanga. E foi para ficar mais próximo da família que ele aceitou de pronto um convite para trabalhar na Rádio 8 de Agosto (hoje Rádio Cidade). Nesta emissora foi um dos criadores do programa Ronda Policial onde, durante muitos anos, foi o seu redator e pessoalmente coletava as notícias em todo o setor policial, onde desfrutava de amizades nos meios e isso lhe favorecia em receber sempre as informações de fontes seguras e em absoluta primeira mão. A sua atuação na área ajudou muito na projeção do programa que até hoje detém um elevado indíce de audiência. Nos últimos anos, cansado, e vítima de um acidente de trânsito que lhe impossibilitava locomoção para o exercício dos seus afazeres, Alberto Mariano deixou a Rádio Cidade. Passou a dedicar-se a um dos seus "hobbies" que era a fotografia. Não possuia equipamentos qualificados e de alta precisão, mas tinha um grande círculo de amigos que lhe davam preferência na hora da fotografia. Assim, trabalhava, ganhava um dinheiro para reforçar o minguado da sua aposentadoria e ainda enviava as notícias do esporte do Assary para as páginas do jornal A Cidade. Foram assim os seus últimos dias. No domingo, dia 20, no campo do Assary lá estava ele no jogo dos veteranos do Corinthians e solteiros x casados, em jogo festivo, Alberto Mariano disparava os seus últimos flashes fotográficos. Nesse dia também falou pela última vez no rádio, quando foi entrevistado. Ficou conosco a vinheta que cantava o seu nome nas jornadas esportivas.

João Carlos A. Ferreira é diretor deste jornal
JORNAL À CIDADE DE VOTUPORANGA


COMENTÁRIOS

Sérgio Gibim Ortega

É meu caro amigo João Carlos! É uma bela recordação. Eu também coloco aqui em meu humilde jornal esta tua homenagem a este jornalista que muito mereceu. O pouco que conheci, ou o vi fora do rádio, percebi que ele era muito bacana. Na década de 80, eu estava questionando a minha caixa postal dos correio de Votuporanga e fui procurar a radio cidade, onde tive a oportunidade de ser entrevistado por Alberto Mariano, que dai não o esqueci mais, a sua voz calma e tranquila pelas reportagens que fazia. Foi o que guardei, aquela fita da minha entrevista com ele.É uma recordação que está por aqui em minhas fitas cassete. Grande Alberto Mariano, não vamos esquecer.

Nenhum comentário:

ESSE TEMPO

                  Sergio Gibim Ortega Eu vejo cada história passar pelo tempo... Tempo de infância, um tempo que passou. Lembranças ja...