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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

HAIKAI DE UM LEGITIMO JAPONÊS


Haikai de um legítimo japonês


Da RedaçãoMuitos dos poemas japoneses feitos pelo morador de Votuporanga Kazuo Aoki, 85, são premiados e publicados em revistas editadas no Japão. O primeiro poema, chamado "Outono", foi premiado há três anos. No Japão, os poemas feitos por ele são chamados de Haikai, uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco letras japonesas, e sete letras na segunda linha. Ele conta que escreve há mais de cinqüenta anos, motivado pela beleza e simplicidade dos haikais que lia. Hoje, escreve cerca de cinqüenta haikais por mês. Kazuo nasceu em agosto de 1924, no Estado de Shizuoka - Japão. Aos 13 anos migrou para o Brasil com a família, que decidiu morar em Taquaritinga, interior de São Paulo. Nessa época, ajudava o pai na agricultura. "Depois de um ano em Taquaritinga, trabalhando para fazendeiros locais, tivemos a oportunidade de sair. Naquela época os imigrantes eram obrigados a trabalhar na cidade durante um ano, e só depois era autorizados a deixar o local e comprar imóveis", lembra. A partir daí a família foi passando por cidades da região em busca de melhores e oportunidades e condições de trabalho. Estão no roteiro dos Aoki, além de Taquaritinga e Diamantina, Ipiguá, Tanabi e Meriano. Esta última foi onde Kazuo se ancorou e constituir família. Lá, seguiu a profissão do pai, trabalhando como agricultor. Cultivava milho, arroz, uva, café, mamão papaia, amendoim e algodão. Da terra ele tirou o sustento de cinco filhos e a mulher, Massako Aoki, 85. Parte da vivência da família estão representados pelos haikais feitos pelo poeta. Em vários deles ele cita as estações do ano, a vida no campo, a agricultura, estradas de terra e boiadas. Um japonês legítimo com raízes fincadas no interior do Brasil. "Gosto do ar puro daqui, as pessoas são boas. Aqui também não tem terremoto". Há nove anos ele voltou ao Japão com a mulher, presente de cinqüenta anos de casamento, dado pelo filho. Lá, ele conta que visitou a escola onde estudou, a casa que morou, amigos e lugares que gostava. "Gosto do Japão só para passear". Além de escrever poesias, outras atividades tomam o tempo de Kazuo. "Ele diz: "Também tenho troféus de campeonatos de karaokê. Gosto muito cantar em japonês. Faço aulas de canto", conta. E não para por aí. O hábito de ler que ele mantém desde jovem serve de exemplo a qualquer um. Um livro de quase 500 páginas, escrito em japonês, ocupa a escrivaninha de Kazuo nesta semana. "É sobre política no Japão. Gosto de me informar sobre o que acontece lá."ArteHaikai é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco letras japonesas, e sete letras na segunda linha. Uma pequena poesia com métrica e molde orientais, surgida no século XVI, muito difundida no Japão e vem se espalhando por todo o mundo durante este século. Possui uma longa história que retoma a filosofia espiritualista e o simbolismo Taoista dos místicos orientais e mestres Zen-budistas que expressam muito de seus pensamentos na forma de mitos, símbolos, paradoxos e imagens poéticas. Isto se deve à tentativa de transcender a limitação imposta pela linguagem usual e pensamento linear e científico que trata a natureza e o próprio ser humano como máquina. Na filosofia Zen, assim como no Haikai, é necessario ter introspeção e análise mais profunda fazendo-se perceber e descobrir curiosos e belos fatos naturais que de outra forma passariam despercebidos. O objetivo é capturar a essência do local numa poesia contemplativa e descritiva com grande valorização nos contrastes, na transformação e dinâmica, na cor, nas estações do ano, na união com a natureza, no que é momentâneo versus o que é eterno (ruptura do contínuo) e no elemento de surpresa."Neblina forte tocando berrante, chamando boiada."
JORNAL À CIDADE DE VOTUPORANGA




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