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segunda-feira, 12 de abril de 2010

GO: pedófilo matou após passar para regime aberto


Adimar da Silva foi condenado a dez anos e dez meses de prisão por atentado violento ao pudor. Cumpriu parte da pena em regime fechado, passou para o semiaberto e em dezembro de 2009 foi libertado.
Os brasileiros começaram a semana em choque por causa do esclarecimento de um crime. O assassino confesso de seis jovens de Luziânia, em Goiás, tinha sido condenado por pedofilia.

A covardia e a brutalidade dos crimes provocaram ainda mais indignação quando os cidadãos descobriram que o monstro estava preso. Mas foi beneficiado com a redução da pena e começou a matar uma semana depois de passar para o regime aberto.

Foi o fim do mistério que por três meses e meio assombrou Luziânia, em Goiás, a 70 quilômetros de Brasília. Para as mães e parentes do seis rapazes assassinados, tristeza e indignação.

“Fica uma dor, porque é uma perda, é um pedaço, um pedaço nosso”, disse Valdirene da Cunha, mãe do Flávio.

“A gente queria ele, mas queria ele vivo, a gente não queria os restos dele, a gente queria ele”, afirmou Lucilene Lopes, tia do Márcio.

“Esse homem é um monstro, ele tem que morrer na cadeia e nós vamos lutar para que nunca mais ele saia”, disparou Aldenira Alves de Souza, mãe do Diego.

O pedreiro Adimar Jesus da Silva, de 40 anos, confessou os crimes com frieza, como mostram imagens do momento em que ele revelou à polícia onde havia enterrado os corpos.

A polícia conseguiu identificar o assassino a partir do depoimento de menino que foi molestado pelo pedreiro e conseguiu escapar. Adimar da Silva foi preso no sábado. Ele atraía os rapazes dizendo que pagaria por alguns serviços e levava as vítimas até uma fazenda.

“Daquele pequeno serviço, a conversa evoluía para o contato sexual", contou Josuemar Vaz de Oliveira, chefe do departamento de Polícia Judiciária.

Depois, o pedreiro matava os rapazes a pauladas. Diego, de 13 anos, foi o primeiro a desaparecer no dia 30 de dezembro do ano passado. Depois sumiram Paulo Victor, de 16 anos, George, de 17, Divino, de 16, Flávio, de 14, e, no fim de janeiro, Márcio Luiz, de 19 anos.

Adimar da Silva matou os seis rapazes em menos de 30 dias. O primeiro crime foi cometido uma semana depois de ele ter recebido o benefício de progressão da pena.

Segundo a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Adimar da Silva foi condenado em 2005 a dez anos e dez meses de prisão por atentado violento ao pudor. Cumpriu parte da pena em regime fechado, passou para o semiaberto, foi submetido a exames criminológicos e psiquiátricos e, finalmente, em dezembro do ano passado, foi libertado.

O juiz Luis Carlos de Miranda concedeu a progressão para o regime aberto no dia 18 de dezembro do ano passado. Na decisão, o juiz diz que Adimar da Silva "demonstrou possuir condições para cumprir o restante da pena em regime de menor rigor, com autodisciplina e senso de responsabilidade". Diz ainda que o requisito "comportamental" estava preenchido.

Mas o delegado da Polícia Federal, Wesley Almeida, que acompanhou o caso, disse que um outro laudo alertou que se tratava de um psicopata. “Ele foi solto embora houvesse um laudo médico de que ele devesse ter acompanhamento psicológico, porque era uma pessoa que apresentava um quadro doentio, uma psicopatia”.

Para a Associação Psiquiátrica de Brasília a reincidência é comum em casos como esse, mesmo que o criminoso tenha bom comportamento.

“Para uma pessoa como essa dentro da cadeia ter bom comportamento é simples: lá não tem crianças, então ele vai ter bom comportamento”, disse Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília.

O psiquiatra Guido Palomba, estudioso de assassinos em série, acha que um psicopata deveria ser isolado da sociedade. “Ele teria que receber medida de segurança, ou seja, somente voltar para a sociedade quando cessar a periculosidade. Ele seria avaliado quanto à periculosidade, como a periculosidade desses indivíduos jamais cessa, ele não voltaria mais para o seio da coletividade. O erro está aí”.

Para a Ordem dos Advogados do Brasil, a Justiça falhou. “Obviamente que o juiz tem que ter sensibilidade, bom senso na hora de aplicar esta lei. Não pode ser estendida de forma igual para todos. Se há um laudo pericial que diz que essa pessoa é psicopata, evidentemente que essa pessoa tem que ter tratamento diferenciado daquele que não é”, defende Ophir Cavalcante, presidente da OAB.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, acha que criminosos beneficiados com a progressão da pena devem ser monitorados com rigor. Com a pulseira eletrônica, por exemplo. “Talvez aqui nós tivéssemos um instrumento adequado também para maior controle”.

Em nota, a vara de execuções penais do Distrito Federal declarou que os exames psiquiátricos e criminológicos feitos em Adimar da Silva mostraram que ele não tinha doença mental nem necessitava de medicação controlada. A nota afirma ainda que o Ministério Público concordou com a progressão de regime.
JORNAL NACIONAL/GLOBO.COM

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