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domingo, 21 de fevereiro de 2010

HIPÓCRITAS SONOROS, OU CAGALHÕES DE OCASIÃO?

HIPÓCRITAS SONOROS, OU CAGALHÕES DE OCASIÃO?

Roberto Lamparina


O carnaval passou, mas o assunto preferido da quaresma continua sendo a festa pagã, pois passado o evento, ficamos nós, os cidadãos comuns, a calcularmos os prejuízos.

Recebi alguns e-mails de pessoas que se sentem ultrajadas pelas práticas irresponsáveis dos foliões que visitaram nossa cidade e também dos locais.

Notícias nos dão conta de que estamos próximos realmente de vivermos em uma sociedade naturalista em núcleo urbano, sem regras e nem roupas, poeticamente, sem lenço e sem documento, ou melhor, com os “documentos” à mostra. Dizem que rolou de tudo nesta versão do carnaval privatizado de Votuporanga, até mesmo tomar banho em praça pública nu, ou praticamente nu, sem discriminação entre homens e mulheres.

Alguns diriam que é um grande avanço, pois os homens se cobrem com as roupas para esconderem os seus pecados, podendo assim camuflar o comportamento hipócrita que o acompanha desde o seu surgimento, quando o velho Adão, assustado com o tamanho da gravanha descabelada da Eva (muito maior do que a sua varinha de cutucar onça), cobriu-a com uma folha de parreira para não deixar à mostra a sua minoridade.

Então, me aproveitando do fato de que alguns começaram a se livrar das roupas, vou logo me despindo da minha hipocrisia irônica habitual para confessar e deixar registrado e claro aqui, o meu profundo lamento e desprezo pelo caráter comercial da festa, sem que se faça uma ampla explanação abrangente, uma elucidação clara e transparente dos custos a que população está sujeita, para que alguns poucos possam obter ótimos dividendos financeiros, enquanto a grande maioria, só receberá o boleto de pagamento.

Existem coisas que é melhor pagar do que fazer, por exemplo: Eu sou um faz tudo razoável. Concerto chuveiro com aquele truquezinho de recolocar a resistência quebrada novamente nos pólos de energia (que o fabricante não nos ouça, mas normalmente dura um tempo quase igual ao que duraria uma resistência nova); concerto tomadas elétricas e tudo em instalação elétrica e hidráulica, mas na hora em que o problema é no sistema de esgoto..., o melhor a se fazer é chamar o especialista na área. Não que eu não saiba como arrumar, mas é que nestas questões, o especialista costuma ser mais descolado.

Alguém, que não mais me lembro quem, num comentário do blog, fez uma referência que compactuo plenamente e a usarei para ilustrar esta minha explicação. Ele pergunta para o outro comentarista com quem debatia – Você cederia o banheiro da sua casa em concessão para que eu possa usá-lo? É este o fato, estamos servindo de depósito e alojamento para excrementos sociais, quando permitimos e estimulamos a vinda de pessoas para a nossa cidade com o intuito único e pré-estabelecido de nos dar exemplos claros de modalidades anti-sociais e, de comportamentos altamente questionáveis, depositando por aqui as variações fétidas e infectas das suas versões excrementícias humanas que, certamente não podem, ou não devem se tornar visíveis no seio da comunidade em que vivem. A partir do convite e da disponibilização da estrada, nos escolheram e nos usam como privada, para que possam depositar os dejetos da conduta anti-social que representam e que semeiam com o rótulo desta geração inacabada e fútil, ao qual facilmente se verifica as digitais de alguns globos se entrelaçando e fazendo plin plin.

Você dirá então – São todos? Não, mas a minoria é o grupo que cria este ar de impunidade vigente e sem a devida contenção, é a que se faz notada.

Tem uma meia dúzia ganhando “muito” dinheiro com a transformação da nossa cidade em um grande mictório público. Tem uma outra meia dúzia ganhando “algum” dinheiro com isso – E o que ganham os outros tantos mil moradores da cidade com isso? Por que as autoridades municipais não promovem um amplo debate público sobre a manutenção dos nossos recursos públicos na viabilização e na continuidade desta festa, da maneira como está sendo feita? Por que nunca nos dão conta de nada?

O carnaval daquele grupo privado é uma coisa, o grupo é comercial e estando eles com a conduta em acordo com o que diz a lei, nada se pode fazer, além de uma justa vigilância nos rigores da lei e daquilo determinado por ela, porém abrir as pernas e facilitar um comportamento que está gerando mais prejuízos do que lucro para a cidade, somente para que se possa obter a garantia dos lucros certos para alguns, aí já é uma grande irresponsabilidade e, uma tremenda burrice daqueles que governam e o vosso passado descomprometido para com o povo, será devidamente lembrado no momento oportuno.

Aos que minimizam as ações carnavalescas, como a de desfilar tranqüilamente dirigindo e bebendo sobre as vistas da ação policial, sobre vermos menores ingerindo bebidas alcoólicas indiscriminadamente e sem pudor algum de se deparar com uma autoridade competente para coibir este ato, ou sobre o fato de que os moradores da nossa cidade estão se sentindo ultrajados com o comportamento ridículo e desrespeitoso dos nossos visitantes ocasionais, realmente não podemos ser hipócritas o suficiente para negarmos que isto não esteja ocorrendo no resto do ano, porém no carnaval, isso vira uma rotina e, uma rotina que deveríamos combater duramente e não fazermos vistas grossas para estas ações ilegais e desrespeitosas.

O custo social da festa nos rende de imediato um custo social altíssimo e nos renderá num futuro breve, um prejuízo ainda maior, que será honrado pela população em geral – Por que será então que nunca nos consultam sobre nada?

Eu estive em plantões no Pronto Socorro Municipal em edições anteriores. A situação é caótica e em prejuízo da população que verdadeiramente está precisando de um socorro médico de pronto. Não tive oportunidade de constatar a situação vigente neste carnaval, porém informações me deram contas de que a situação piorou e muito. Pequenos acidentes com pequenos cortes e fraturas decorrentes da ingestão de altos teores alcoólicos se acumulam na portaria do PS Municipal, quadros de exaustão física e de desidratação, muitos casos das típicas viroses que atacam no verão, além das tradicionais intervenções de glicose, confirmam as preferências decorrentes da folia carnavalesca nos plantões médicos.

Por que será que ninguém nos apresenta este balanço negativo da festa? Certamente porque os lucros, eles estão dividindo entre eles, porém os prejuízos, estão atribuindo e incluindo na nossa desapercebida contabilidade cidadã. Virão outros, mais aí ninguém mais se lembrará de que se iniciou no vício do álcool e das drogas numa “inocente” folia de carnaval b-OBA, pois estes acompanhamentos estão disponíveis para todos os presentes, porém somente os fracos, tolos e idiotas serão os que se deixarão escravizar pelo seu vício.

Falando em hipocrisia, diante de todos os fatos aqui narrados, muito me surpreende a indignação explicita de algumas pessoas da nossa comunidade com o suposto som alto proveniente de um carro de som que faz a sua publicidade nas ruas da cidade. É certo, que se existe uma lei e esta está sendo descumprida, precisamos fazer com que ela se cumpra, porém as outras leis muito mais sérias que estão sendo transgredidas (no caso do nosso carnaval privatizado), ninguém importante emite opinião ao grande público local, ficam todos caladinhos e se melando no cantinho destinado aos cagalhões.

Ainda falando em hipocrisia sonora, me parece mais uma insatisfação comercial apregoada à exaustão por um representante da mídia local, que vendo seus negócios na área de anúncios publicitários minguarem na concorrência com o carro de som em questão, alugou a mente dos amigos e aliados tradicionais para o seguirem nesta missão escarlate do cúmulo da hipocrisia. Arrasta junto com ele, políticos importantes e destacados membros da nossa sociedade. Agem como se estivessem travando a maior das batalhas contra um inimigo poderosíssimo, cuja vitória será impossível e se vencerem, certamente se tornarão heróis máximos idolatrados pela gentalha.

Aos políticos em especial, ouçam às vozes que ecoam das ruas, não fiquem seguindo às ordens de gente hipócrita que no maior auê carnavalesco do vale tudo nas ruas, resolveram eleger um carro de som como inimigo público número um. Não me façam rir tanto senhores, tenho uma hérnia aflorando no abdômen.

Para quem como eu, está acostumado com o balanço ensurdecedor daquelas pick-up’s que comportam o som na caçamba e que estremecem o portão da minha casa quando desfilam tranqüilamente pelas madrugadas na Rua Tocantins, isso não é nada. Ultimamente, com a versão musical inútil de uma tal Banda Dejavú, nada mais me abala sonoricamente. Parece tudo combinado, quando uma está com aquele batuque grave chegando na São Bento, outra vira na esquina do Hotel Firenze e o Dejavú chega na frente da minha casa exatamente na parte da letra em que a outra acabou de passar. Eu só conheço aquele refrão da letra – Ou será que a letra é só aquilo mesmo? Não sei..., só agradeço à DEUS todos os dias pelo fato de o gosto musical ser uma coisa bastante efêmera, pois eu não agüentava mais a onda daquele Rap das Armas do Cidinho e do Doca. Bem em frente da minha casa, os apaixonados por som automotivo ligavam o áudio no último:

Fé em Deus DJ

Vamos lá

Parapapapapapapapap
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clack bum
Parapapapapapapapapa

Morro do Dendê é ruim de invadir...

Então senhores apaixonados pelo silêncio e fãs incondicionais do carnaval de irregularidade$ que está acontecendo em Votuporanga, esqueçam as pequenas picuinhas comerciai$ e parem de desviar o foco. Pensem no mal que estão permitindo fazer para setenta e tantos mil habitantes que, é o patrimônio verdadeiro e de fato da nossa cidade. Nossa gente é nosso patrimônio inigualável, onde eu posso dizer isto com conhecimento de causa, pois conheço todo o Brasil e todo o tipo de gente que nele vive.

Diante destes fatos aqui narrados, o som daquele ambulante que tanto lhes incomodam, é uma sinfonia aos meus ouvidos!!!

PS: Eu gostaria de dedicar este post ao amigo virtual e companheiro blogueiro Ségio Gibim Ortega, signatário do Blog O NOVO JORNAL DO POETA GIBIM, que sempre me brinda com a publicação de alguns dos meus artigos relevantes e do interesse público, no seu espaço admirável. O POETA GIBIM é o retrato claro do nosso patrimônio humano individual inquestionável, pois sua simplicidade e as suas responsabilidades de cidadão, sempre estão presentes nas suas colocações e nas suas poesias postadas diariamente para o seu público. Orgulho-me por fazer parte deste seu público. Abraço Poeta!!!
FONTE-BLOG DO ROBERTO LAMPARINA

COMENTÁRIOS
Sérgio Gibim Ortega

Muito obrigado amigo Roberto Lamparina por esta dedicatória e que Deus nos abençoe para que sempre estaremos corrigindo e expondo os mal feitos que acontece no geral.Um abraço amigo do Poeta Gibim.

2 comentários:

Anônimo disse...

Alô Poeta Sergio
Foi umn prazer ter conhecimento deste blog que representa bem o espírito da região votuporanguense.
Infelizmente a poesia não faz muito a minha área,mas admiro que a busca e pratica.Estou mais ligado aos assunto de ciências e políticas,principalemnte o último por indicação de um "amigo"muito odiado pela turma do suposto núcleo comunista da região.
Coitados.
Procuro divulgar e defender os princípios democráticos e não a farsa que PT e caterva propõe levando no sovaco os desinformados e futuros párias.
Caso se interesse recebi muito recentemente a indicação do "amigo" de um blog que pare é bastante leve,claro e SAUDÁVEL para o Brasil.
http://blogspelademocracia.blogspot.com
Espero que nos encontremos pelas feiras ou eventos de Votuporanga.
abraços
de um cosmoranense agora também votuporanguense

roberto

Anônimo disse...

O blog do lamparina e alguns outros que estão surgindo com a grande mobilização da internet, colocam os políticos incapazes de pijama. Alguns temem quando o lamparina afina a caneta e parte pra cima deles. Tem uns vereadores por aqui que constantemente debatem entre si a sequência de pestes, doenças e infortúnios outros que deveria se abater sobre o blogueiro. Mas parece que o blogueiro tem o corpo fechado, desfruta até da liderança espiritual de um pai de santo amigo.
KIKO

ESSE TEMPO

                  Sergio Gibim Ortega Eu vejo cada história passar pelo tempo... Tempo de infância, um tempo que passou. Lembranças ja...