O NOVO JORNAL DO POETA GIBIM

quarta-feira, 6 de maio de 2015

TODAS AS MULHERES SÃO MÃES

Paiva Netto
Na Legião da Boa Vontade, LBV, a visão que temos da maternidade é ampla. É o que comentei em 22 de maio de 1988, na Folha de S.Paulo: Deus, Mãe e Pai dos seres humanos, é universal abrangência. Assim sendo, Mães não são apenas as que geram filhos carnais. Também são aquelas que se consagram à sobrevivência dos filhos dos outros: as crianças órfãs, até mesmo de pais vivos; as das Mães que precisam trabalhar e não têm pessoa de confiança com quem deixá-las; as das que são irremediavelmente enfermas. Tal como se lê no Poema do Grande Milênio, de Alziro Zarur (1914-1979): “(...) Os filhos são filhos de todas as mães, e as mães são as mães de todos os filhos".
Mães são ainda as que se devotam à Arte, à Literatura, à Ciência, à Filosofia, à Religião, à Política, à Economia, afinal a todos os setores do pensamento ou ação criadora, a gerar “filhos” de sua dedicada competência pelo desenvolvimento da Humanidade. A LBV não ergue bastilhas, pelo contrário, as derriba com renovada Boa Vontade. (...)
Muito oportuna também é outra composição poética do velho Zarur: Poema das Mães, uma ode à face maternal, à necessidade da marca afetuosa e forte deste Ser no governo dos povos:
Poema das Mães
"Desde que o mundo é mundo, até onde vai/O arqueológico olhar da pré-História,/Na família dos nobres ou da escória/A mãe não manda, pois quem manda é o pai.
"Sem pretensão alguma a Nostradamus,/Eu creio que a razão desse destino/Da mulher-mãe, que todos subjugamos,/É o Deus antropomorfo-masculino.
“‘Se é homem o Criador (raciocinaram/Os argutos filósofos de antanho),/Façamos das mulheres um rebanho...’ /E assim fizeram quando assim pensaram.
"Desde então, temos visto a velha farsa/Representada, com solenidade,/Nos países de toda a Humanidade/Onde a moral pré-histórica anda esparsa.
“‘As mulheres não podem entender-nos’,/Diziam os despóticos senhores./E fomos vendo, em séculos de horrores,/A falência dos homens nos governos.
“Ao meditar, em raras horas mansas,/Cheguei a conclusões desprimorosas:/Os homens são crianças rancorosas,/Sem a graça espontânea das crianças.
“Só então compreendi o caos da guerra,/Em seus apavorantes misereres:/Coisa impossível de se ver na terra,/Quando os governos forem de mulheres.
“Assim é que não pode continuar!/Porque os 'chefes' — piores do que os cães/Hidrófobos — têm este singular/Defeito imenso de não serem mães.”
Retrato de Mãe
Abro a revista Boa Vontade e encontro esta joia do saudoso bispo chileno Dom Ramón Ángel Jara (1852-1917): “Existe uma simples mulher que possui um pouco de Deus pela imensidade de seu Amor, e muito de anjo pela constância de sua dedicação. Mulher que, sendo jovem, pensa como anciã; e na velhice, trabalha como se tivesse o vigor da juventude; se é ignorante, decifra os problemas da vida com mais acerto do que um sábio; sendo culta, amolda-se à simplicidade das crianças; quando pobre, considera-se bastante rica com a felicidade daqueles que ama; e sendo rica, daria com prazer sua riqueza para não sofrer a injúria da ingratidão. Forte ou intrépida, entretanto estremece ante o choro de uma criancinha; franzina, se reveste, às vezes, da bravura de um leão. Mulher que, enquanto viva, não sabemos dar-lhe o devido valor, porque a seu lado todas as nossas dores se apagam... Mas, depois de morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para vê-la de novo um só instante e dela receber a carícia de seus abraços, uma palavra de seus lábios... Não exijais de mim que diga o nome dessa mulher se não quiserdes que eu inunde de lágrimas este álbum, porque já a vi passar em meu caminho. Porém, quando os vossos filhos crescerem, lede-lhes esta página. E eles, cobrindo-vos de beijos, dirão que um pobre viandante, em retribuição da magnífica hospedagem recebida, deixou gravado neste álbum, para todos, o retrato de sua própria Mãe”.
Dizem que Mãe não tem rima. Será?! Então secou-se-lhes a musa, ou saiu em férias... Mas não semelhantemente à famosa experiência de Guerra Junqueiro (1850-1923).
Amor faz rima perfeita com Mãe. Mãe é eterna também.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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AS MÃES E OS FILHOS DAS MÃES


Paiva Netto
No opúsculo Mãezinha, deixe-me viver!, 1989, anotei que atravessamos época de transformações profundas. Daquelas que pesado tributo pagam ao exagero. É o vale-tudo. Nem as mães escapam. Chegou a ser de “bom gosto”, para alguns, falar-se mal delas... Certo pessoal anda mesmo é querendo ser filho da máquina, a boa senhora do computador... Eis a civilização do absurdo, que tanta coisa deseja sem saber o que verdadeiramente quer. “Vade retro!”. Freud explica... Explica?! Porém tudo se altera e passa...
Lembro-me de que quando criança existiam bondes. E como era romântico trafegar neles nas “horas mortas”... Durante o “rush”, não! Havia uns pequenos cartazes, que diziam assim: “Tudo na vida é passageiro, menos condutor (o cobrador) e motorneiro”(digamos, o motorista do praticamente extinto veículo elétrico, que as novas gerações não conheceram). Agora a gente vê que até aquelas duas figuras, hoje folclóricas, também eram passageiras. Enganou-se, pois, o poeta marqueteiro...
Mas voltando ao assunto: sacudida a Árvore Sociedade, caídos os galhos secos, as folhas murchas, os frutos podres, que impediam seu correto desenvolvimento, a planta sempre rejuvenesce, torna a florescer. É a vitória da vida, o sucesso do Bem. Tudo passa, realmente passa, menos ele. Por quê?! Ora, por quê! Deus é Amor, e “nada existe fora Dele”, afirmava o libertário Alziro Zarur (1914-1979). Quem declarar que não quer ser amado (ou amada) está doente ou mentindo, o que resulta no mesmo...
Pensam que mãe não tem rima? Será?! Então secou-se-lhes a musa, ou saiu em férias... Mas não semelhantemente à famosa experiência de Guerra Junqueiro (1850-1923)...
Mãe faz rima perfeita com Amor.
A musa em férias
Por falar no velho Guerra, contam que o episódio assim se deu: o respeitado poeta português foi ao médico. Não sabia o que lhe cansava os ossos. O clínico, depois de examiná-lo com paciência, prescreveu ao cliente: “– Professor, o senhor não tem nada físico que um bom descanso não corrija. Viaje. Não faça nada, nem escreva, e tudo terminará bem. Pode confiar”. O vate prometeu que o faria. Contudo, o que acabou ocorrendo foi o seguinte: quando voltou do “descanso”, trazia um dos seus mais belos feitos para um novo livro: A musa em férias.
Homenagem
Separei um lindo poema de Casimiro de Abreu (1839-1860) para homenagear as mães do Brasil e do mundo, da Terra e do Céu da Terra, que tem justamente esta invocação: “Minha mãe”. Recordo-me de que Zarur, o fundador da LBV, o interpretava de forma magistral:
Minha mãe
“Da pátria formosa, distante e saudoso,/ Chorando e gemendo meus cantos de dor,/ Eu guardo no peito a imagem querida/ Do mais verdadeiro, do mais santo amor!/ – Minha mãe!
“Nas horas caladas das noites de estio,/ Sentado sozinho, co’a face na mão,/ Eu choro e soluço por quem me chamava:/ – ‘Ó filho querido do meu coração!’/ – Minha mãe!
“No berço pendente dos ramos floridos,/ Em que eu pequenino feliz dormitava,/ Quem é que esse berço com todo o cuidado,/ Cantando cantigas, alegre embalava?/ – Minha mãe!
“De noite, alta noite, quando eu já dormia,/ Sonhando esses sonhos dos anjos dos céus,/ Quem é que meus lábios dormentes roçava,/ Qual anjo da guarda, qual sopro de Deus?/ – Minha mãe!
“Feliz o bom filho que pode contente,/ Na casa paterna, de noite e de dia,/ Sentir as carícias do anjo de amores,/ Da estrela brilhante que a vida nos guia./ – Uma mãe!
“Por isso eu agora, na terra do exílio,/ Sentado, sozinho, co’a face na mão,/ Suspiro e soluço por quem me chamava:/ – ‘Ó filho querido do meu coração!’/ – Minha mãe!”.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.


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segunda-feira, 26 de março de 2012

OS CANDEEIROS DA MENTE

                          Carlos Lúcio Gontijo
A poesia não é uma opção para o poeta verdadeiro, pois ele a traz em si. Ou seja, ainda que não escreva verso algum, a poesia nele estará. Os bons professores também são assim; professores por vocação. Talvez pareça estranho ao nosso casual leitor o fato de estarmos tratando de tema não referente à política, que se nos apresenta como fonte de destilação de ódio e posicionamentos tão extremistas quanto radicais. Muita gente anda se aproveitando do espaço democrático possibilitado pela liberdade de expressão para propagar ideias golpistas e até mesmo, vestida de verde-oliva, bater à porta dos quartéis.

Sob a certeza de que quando morre um grande humorista até a lona dos circos verte lágrimas, estamos mais para reviver o saudoso Chico Anísio, na canção “Como nos velhos tempos”, que ele compôs em parceria com Nonato Buzar: “Eu quero ver o show do Walter Pinto/Com mulheres mil/O Rio aceso em lampiões/E violões que quem não viu/Não pode entender/O que é paz e amor”. Cansamo-nos das moscas do lamaçal político, pois sabemos de onde elas vêm e do fétido lodo de que se alimentam. Preferimos então louvar os professores, que são vítimas das ações políticas, que a eles reverenciam apenas no transcorrer das campanhas eleitorais.

Temos a glória de manter, até os dias de hoje, uma relação de apreço e amizade com a nossa primeira professora, Clélia Souto, que está na luta pela impressão de seu livro em prosa e verso. Clélia foi prefaciadora de nossa obra “Pelas partes femininas” e agora nos concedeu a prazenteira honra de prefaciar seu lírico “Casa grande”.

Entrar em contato com os professores, os candeeiros da mente de nossas crianças, adolescentes e jovens, é o mesmo que contatar, ao vivo e em cores, o descaso de nossos governantes em relação ao ensino, que não pode receber a devida atenção porque o Estado precisa ostentar caixa suficiente para pagar e garantir o privilégio dos que nada fazem e nada produzem em prol da sociedade.

O escritor norte-americano Malcolm Gladwell grafou que “O sucesso é uma soma de inteligência, esforço, contexto histórico e oportunidade”. Indubitavelmente, cidadão que não for premiado com a sorte de acesso a ensino de qualidade assistirá, pela vida afora, à diminuição de sua possibilidade de atingir ao grau de bem-sucedido, em ambiente socioeconômico tão seletivo e competitivo no que diz respeito ao mercado de trabalho.
Nossa querida professora aposentada Clélia não obteve do governo mineiro a merecida contrapartida salarial por seu empenho na busca de aprimoramento profissional, predicado que a levou a cursar faculdade de pedagogia. A única recompensa de Clélia Souto, assim com a de praticamente todos os professores, é o reconhecimento de seus ex-alunos.
Infelizmente, pelo andar da carruagem, os professores deste aclamado tempo novo, no qual os pais terceirizaram a educação de seus filhos, repassando tal incumbência e obrigação às escolas, vistas como simples depósitos de crianças, não poderão contar nem com a gratidão de seus alunos, que por eles não nutrem a menor consideração.

Entretanto, apesar dos pesares e das dificuldades, o livro da professora Clélia Souto está a caminho. Cuidamos, recentemente, de procurar o apoio de Nivaldo Marques Martins, diagramador e ilustrador de cinco de nossos 14 livros, que não se fez de rogado e nos emprestará seu talento, facilitando por demais a edição, que conta com o caloroso incentivo de muitas outras pessoas amigas.

Ao passo que nossos governantes optam por deixar os professores ao deus-dará, fica cada vez mais evidente para os estudiosos da educação que o conceito de inteligência não é apenas uma questão de QI dos estudantes, mas sobretudo um conjunto de habilidades que necessita ser trabalhado por escolas de expressiva qualidade, um fenômeno totalmente dependente de bons (e bem remunerados) professores, além de didática consistente, uma sociedade participativa e famílias bem estruturadas, que se unam em torno das unidades escolares em benefício da preparação dos alunos, como futuros agentes da construção de um mundo melhor.

   Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

QUEM SERÁ MAIS HUMANO, NÓS OU OS ANIMAIS?

Marisa Pereira Viana

Nós humanos, somos diferentes dos animais que povoam nosso planeta graças à capacidade de agir além de nossos instintos. Entender e distinguir o que é certo do que é errado e tomar uma decisão baseada nesse raciocínio, foi o “presente” a mais, dado por Deus e que nos diferencia dos animais irracionais.

Deus ao mesmo tempo em que nos privilegiou com esse atributo, o raciocínio, colocou-nos todos juntos num mesmo lugar e também nos deu a responsabilidade de zelar por esses “outros” habitantes desse planeta com todo carinho, compaixão e amor, da mesma maneira como Ele sempre tem nos tratado. Infelizmente, nós humanos somos seletivos em relação aos animais que amamos e, mesmo os que adoramos vivem à nossa disposição e são submetidos a crueldades.

Sim, há pessoas que amam verdadeiramente os animais! Sabemos de algumas que seriam capazes até de dar a sua própria vida por eles, mas também conhecemos outras que simplesmente não suportam conviver com nenhum deles. Sequer chegam perto de qualquer cãozinho ou gato e a desculpa para essa “aversão” é de que possuem um trauma de infância... Em alguns casos, sabemos que isso pode ser verdade mesmo, mas em outros, pura maldade!

Durante toda minha vida, tenho procurando entender essas pessoas, já que não me resta outra coisa a fazer diante de tal atitude. Observo, ouço, reflito... Afinal de contas, todos nós precisamos aprender a conviver com as diferenças e respeitá-las. Não posso esperar que todos gostem tanto de animais como eu, mas posso questionar como é possível não se comover diante de um ser tão doce, inocente, puro e indefeso, cuja sobrevivência vive à mercê da caridade humana?

Os que levam a sério essa responsabilidade que nos foi dada por Deus, com certeza, nos últimos dias se sentiram muito envergonhados (e revoltados!), pelas notícias que acompanhamos pela TV. Uma pessoa que se dizia uma esposa carinhosa, boa mãe, num “mal dia”, espancou e matou o seu melhor amigo na frente do filho... Com certeza, essa pessoa tem muito a aprender com os “animais”... Eles, ao contrário de nós, nunca matam por prazer ou simplesmente por estarem num mal dia... Também nunca ouvimos dizer que atacassem outro ser, sem serem covardemente provocados, mas sim que conseguem viver sempre em harmonia com os seus e o ambiente que o cerca.

O que podemos dizer então desse ser “Humano”, que se deixa dominar por seus instintos mais primitivos e deliberadamente causa dor e morte a um pequeno ser indefeso a quem deveria proteger?!? Deixá-lo livre e sem nenhuma punição?!? E se, concordarmos em deixá-lo livre, a exemplo dele, outros também não se sentirão no “direito” de chegando em casa e por qualquer motivo se sentindo também “aborrecidos”, chutar, machucar e matar o seu pobre animalzinho?!?

Crescemos ouvindo que pertencemos a uma espécie superior aos outros animais, e que fomos criados a imagem e semelhança de Deus. Possuímos na verdade uma inteligência mais desenvolvida que os demais, mas isso não nos dá o direito de sermos cruéis com os animais, muito pelo contrário, isto é algo inaceitável! E, se somos mesmos “superiores”, devemos mostrar nossa superioridade em protegê-los de qualquer barbárie como essas que temos visto nesses últimos dias. Não podemos simplesmente deixar cair no esquecimento o sofrimento desses pequeninos. Só podemos admitir uma única opção:

Cadeia já para esses “animais” que não respeitam aos animais!

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sábado, 29 de outubro de 2011

PARABÉNS MEU AMIGO CARLOS SILVA, PARA MIM, EU TE CONSIDERO MAIS POETA QUE ESSES GRANDÃO

E hoje, fazendo minha crítica, porque procuram me corrigir, olha aí, achei mais uma pessoa no meu e-mail, que diz a verdade sobre "Ser Poeta hoje".
Meu amigo Carlos, me acompanha e faz teus livros à mão, artesanal e pronto. Mas, meu amigo, nem assim eu consigo audiência... hehe... Quer saber, eu eu já fiz um blog até no Japon, e lá a gente tem mais valor. Brasileiro não gosta de ler, e esses grandes intelectuais, acham se maiores. Você disse muito certo. "Poesia não mata a fome e nem aluguel. Eu estou com você! Então somos dois. Mas, não desista. Quem quiser remover nossos link, que o faça. Eu não esquento não. É isso, eles criticam a gente pra ficar no lugar. Antologia é fria, quem ganha é quem promove. Amigo! Parabéns. Você desabafou o que eu já tentei muitas vezes em meu blog. Outro dia uma poetisa só me maltratou. Ela,me xingou tudo. E só porque, eu critiquei ela por não me publicar em seu grupo. Abraços, e que se fods o resto.
Sérgio Gibim Ortega


VEJA O QUE DIZ CARLOS SILVA!
Fechou o tempo na poesia

Amigos, briguemos em versos enveredando verdades palavras e sonhos.
Não com competitividade. Ajuntem-se para não permitir que as coisas nos obriguem afastar-nos.´Por isso, eu sempre me pergunto:
O QUE É A POESIA?

http://www.recantodasletras.com.br/entrevistas/3257872
Cá está o meu blog, ( http://cantosemcordeis.blogspot.com) mas quem será de vcs, meus amigos que irão lê essas coisas que escrevo? disponibilizo, pois tentei publicar meu livro ma$ não deu a coi$a não é fácil.R$R$R$R$R$.
Eu?
Eu não sou poeta, sou apenas um escrevedor muito longe de ser chamado poeta. Poeta é Carlos Drummond, Jorge Amado,Fernando Pessoa, Luiz Vaz de Camões,Eça de Queiroz,Clarice Lispector, que ja foram pro tumulo, mas ainda é bonito recita-los, pois é chique dizer-se intelecto RARARARA. Valha-me Deus.
Salomão foi o maior poeta do mundo(mas recitar alguma poesia sua, é fanatismo, caretisse,afinal Deus não da ibope).
Eu? eu sou um tocador, cantor e compositor, mas poeta??? perante tante gente grande? sou não, sou escrevedor de sonhos misturador de palavras, em verbos corretos ou não,difusor da cultura popular que me alegro com um batuqye de pandeiro e o toque de uma consertina bem aprumada.
Meus eternos admirados?
LUIZ GONZAGA- JACKSON DO PANDEIRO, MARINÊS E SUA GENTE,GORDURINHA,NELINHO,ZÉ DANTAS,HUMBERTO TEIXEIRÃ... (ALGUNS JÁ DEFUNTADOS)
Essa foi minha cultura. E pra que forçar em mim um intelectualismo mentiroso,acadêmico,enriquecio em filologia admirados en la France,Paris,Bruxelas, se eu nunca tirei os pés do meu sertão chamado Brasil?
Sejamos sinceros com nós mesmos, e sabem porque esse meu relato?
A POESIA NÃO MATA A MINHA FOME, NÃO PAGA MEU ALUGUEL E NEM EDUCA OS MEUS FILHOS. Eu já não aguento mais.Mas vcs, sim.Vcs, estão bem portanto...
Já notaram que não participo das antologias?
É porque não quero?
Não. è simplesmente porque não disponibilizo dos valores cobrados para colocar 1,2, ou 3 poesias minhas junto a tantos escrevedores.
Faço cordel, vendo a R$ 2,00
Meu cd, custa R$ 10,00
E num país (ARRUDIADO DE ANALFABETOS) vou fazer livro pra que?
Não, vcs, me provam que eu não sou poeta pois insisto em mostrar-lhes o que escrevo e ninguem comenta.Quer saber: Prefiro minha viola, meus cordeis e meus bolodórios(sabem o que é isso?).
Poetas, poetas, poetas. Querem me ouvir cantar,Ja ouviram a homenagem que fizemos para O Mato Grosso do Sul?Não??? sinto muito...
Enquanto os Homens fazem Guerra, eu bebo leite e faço amor.Desbruço meu corpo numa rede e toco adoidado as coisas do meu sertão.
Vou deixar pra voces (pela ultima vez) depois podem até excluir o meu endereço dos seus contatos, os meus links:
www.carlossilva.com.br
www.aloartista.com
www.becodospoetas.com.br
www.bandasdegaragem.com.br/carlossilvacantador (AQUI É SÓ MUSICAS COMPOSTAS POR MIM MESMO)

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Finados é tempo de reflexão

Carlos Lúcio Gontijo

No dia 20 de outubro de 2011, recebemos uma homenagem da Loja Maçônica Mestres do Monte, que nos premiou com diploma de honra ao mérito pelo conjunto de nossa obra literária. Lá estávamos meu pai, minha esposa e eu, que acabei dominado por intensa emoção, ao ver-me rodeado de pessoas amigas (algumas delas conhecidas desde criança) e sentir, fortemente, a presença de minha mãe, que no início de minha carreira literária, além de me incentivar, não se fazia de rogada e saía com meus livros debaixo do braço, vendendo-os aos vizinhos e amigos. Confessamos, sem qualquer constrangimento, que tivemos que fazer um esforço enorme para não cair em prato diante da comunidade maçônica que nos homenageava em Santo Antônio do Monte, cidade localizada no Centro-Oeste de Minas Gerais, onde passamos nossa infância e sepultamos mãe Betty, que faleceu a 19 de dezembro de 1989.

A vida é mesmo assim: as gerações vêm e passam – é gente substituindo gente o tempo todo. Nem mesmo os endinheirados e os famosos escapam, pois a morte é o imposto da vida ao qual somos obrigados a pagar. Contudo, o draconiano tributo é quitado sem grandes reclamações ou protestos, pois é o imposto de todos. O certo mesmo é que tanto os pobres quanto os ricos e as celebridades terminam logo esquecidos, se não se deram aos amigos, à família, à convivência em sociedade. Algumas ausências se fazem tão sentidas que, em plenitude, se transformam em uma espécie de presença. São os mortos que falam por intermédio de suas boas ações e obras.

Não somos muito de visitar cemitérios, cremos que as pessoas a que estimamos continuam vivas dentro de nós, daí a razão do verso de um poema nosso grafado na lápide do túmulo de mãe Betty: “Não estás, mas estás em tudo”. Enfim, defendemos a tese de que nossa primeira eternidade espiritual é aquela que podemos erigir com os nossos próprios braços – fruto do nosso esforço e suor –, pois amar e ser solidário com os nossos irmãos, mais que carinho, exige-nos doação, perseverança, compreensão, sinceridade e capacidade de perdoar os defeitos ou imperfeições de que todos nós padecemos. Agindo dessa forma, podemos ouvir os nossos mortos e, quando morrermos, continuar falando, por meio do fio-condutor da saudade, àqueles a quem dedicamos afeição verdadeira no transcorrer de nossa vida.

O filósofo francês André Malraux, dizia que “uma vida pode não valer nada, mas nada vale uma vida”. No Dia de Finados, essa frase deve conduzir-nos à reflexão, pois a convivência em comunidade experimentada pelos brasileiros vem sendo afetada por índices de violência cada vez mais exacerbados e acompanhados de uma selvageria sem limites, como se a graça divina que nos concede a vida fosse uma benevolência celestial desprovida de valor.

Indubitavelmente, a grave crise por que passa o setor de segurança pública, que não consegue enfrentar com a desejável eficácia o avanço do crime organizado e até mesmo os pequenos delitos, alimenta a chama da impunidade e serve de estímulo ao cometimento de crimes cada vez mais violentos, levando um número imenso de pais e avós a sepultarem seus filhos e netos, uma vez que os jovens são os mais atingidos pela onda de violência que assola o Brasil, onde a corrupção política, que surrupia o dinheiro que poderia ser destinado ao atendimento médico-hospitalar, por exemplo, age como metralhadora invisível responsável por uma colossal gama de mortes.

Lamentavelmente, a sociedade humana torna o amor e a solidariedade em substantivos cada vez mais abstratos, como se houvesse optado por estender ao longo da caminhada de homens e mulheres um ambiente concreto de tempo de finados sem fim, onde perecem tanto seres humanos quanto animais, mananciais hídricos e plantas, que têm suas vidas ceifadas pela cobiça materialista em que se acha mergulhada a indispensável sensibilidade e senso coletivo de que se devem revestir todas as ações humanas, para que não nos tornemos agentes fúnebres de nosso próprio destino no planeta Terra.

Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

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sábado, 22 de outubro de 2011

A POESIA DE OURIDES



AGUIA OU URUBU

Quem é o pior,
Um ditador sanguinário

Ou um matador,assassino, ordinário
Que em pouco tempo fez de mortes seu rosário

Esta em baixa e não vai se reeleger

Porque se ele ficar, mais gente vai morrer
Fica propagando e expelindo maldade pura
Se depender dele ou morre da doença ou da cura

Temos de ser contra ditadura ou ditadores
Mas para ai, não vamos inverter valores
Nem glorificar matadores internacionais
Ninguém pode sair matando como irracionais

Em seu poema PAPÁ

Obama pergunta o que fazer com ele
Simplesmente, eu respondo, prender ou caçar
Ou por ser presidente dos EUA pode mandar matar

(Orides Siqueira)

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

SEJA BENEVOLENTE

Faça o bem, lute, arisque!
Não tenha medo de fazer.
Alguém espera por alguém,
para receber um carinho, umas
palavras de amor, solidarias e afetuosas.
Lute por esse alguém que espera por você.
Lute faça acontecer, sem julgar sem olhar a quem.
Sem dúvidas só lhe fará muito bem.
É muito bom receber, doar sem olhar a quem.
Não julgue, não crie não invente.
Apenas lute, faça isso. Esse benefício
será duplicado, pois a embora a intenção
seja agradar o outro, mas também
você será atingido com tal benevolência.
Cléo Anselmo

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terça-feira, 11 de outubro de 2011

REFLEXÃO

O tempo é estático
O espaço é total.
A vida (terrena) é vazia.
Nós passamos indelevelmente.
Nossa obra, porém, nos eterniza.

(luiz carlos leme franco)

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sábado, 8 de outubro de 2011

Y DAI

Críticos
São as bostas que colam em minhas botas
Nunca dei bola a este bando de idiotas
São bobos da corte, navio sem frota

Não escrevo para esconder misérias
Nem quero que cante para dormir
Escrevo porque quero amar, sentir
Sonhar,mentir, ver meus amigos sorrir

Sou o louco que desligou o sol
O fantasma do farol
Um caramujo sem caracol
Um pênis em formol

Um tridente com uma cruz no meio
Louco que não sabe de onde veio
Burro querendo escrever
Um cego sem Braille querendo ler

(Orides Siqueira)

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O PAÍS DA CURVA DA LEITOA

Carlos Lúcio Gontijo

A mais necessária das reformas, a mãe de todas elas, seria (e o é) a mudança no comportamento humano do brasileiro, onde impera a cultura do levar vantagem em tudo, impondo a supremacia do mais esperto sobre o mais capaz, do mais corruptível sobre o mais competente, do maria-vai-com-as-outras sobre o mais questionador, do mais talentoso pelo mais bem relacionado ou mais influente e assim por diante.
As ações e a inoperância de nossos representantes políticos e demais autoridades constituídas ensinaram ao nosso povo que é preferível ter como governante uma figura pública que rouba, mas faz, que um administrador que a nada dá andamento, mas igualmente surrupia. A sensação que temos é de que a corrupção aumentou e o assalto aos cofres públicos também, porém o que temos diante de nós é o desenvolvimento do Brasil e o consequente avanço do número de obras, gerando maior investimento do setor público acompanhado do aumento da propina, que é um vício inerente e inarredável do alicerce de nossas construções públicas. Quem não libera propina, sua pipa não empina – seja no setor público, seja no setor privado.
Vivemos hoje em nossa querida Santo Antônio do Monte e conta-se por aqui que uma perigosíssima curva que existe na MG-164, que liga a cidade ao município da Pedra do Indaiá e à MG-050 é fruto das tratativas entre o proprietário de uma fazenda e o engenheiro e operários responsáveis pela abertura daquela então nova via. Ou seja, para a estrada não ocupar pedaço maior em suas terras, o tal fazendeiro prometeu assar uma leitoa regada a uma farta bebida para todos. E assim se fez e assim se cumpriu, deixando como resultado um traçado rodoviário completamente desrespeitador à vida humana.
O problema de falta de amor e respeito pelo próximo é a fonte de todos os nossos desmandos no campo social. Lamentavelmente, a maneira mais fácil que as pessoas têm à mão para demonstrar seu poder é ferindo os que estão ao seu redor. Agem psicologicamente como se fossem crianças que, para externar sua pretensa força, costumam quebrar os objetos colocados ao seu redor.
É por essas e outras que andamos com o andor da literatura que carregamos no peito com muito cuidado, atuando simplesmente como produtor de cultura, que é o que sabemos fazer, sem entrar no ativismo sem causa, no qual impera a língua ferina do fogaréu de vaidades, que termina dificultando o já árduo caminho dos autores de trabalhos literários independentes. A nossa contribuição ao meio da cultura escrita se resume à elaboração de artigos e edição de livros, cujos exemplares são (em sua maioria) desprendida e gratuitamente repassados aos cuidados de bibliotecas comunitárias, escolas rurais, escolas de periferia e tantos outros lugares aonde o livro de literatura raramente chega.
Visualizamos um grande equívoco na filosofia com que se administra a pedagogia do ensino brasileiro, na qual se coloca o conhecimento como uma porta para alcançar muito dinheiro e fama. Dessa forma, os alunos chegam ao vestibular à procura da profissão que lhes dará mais salário e mais acesso a bens materiais, ainda que não tenham qualquer vocação nem gosto pelo exercício da mesma, esquecendo-se de que a escolha de uma atividade profissional é projeto de futuro para uma vida inteira. Como no caso da curva da leitoa, poderá ter em sua vida um indesejável trajeto a ser percorrido com risco, desânimo e infelicidade.
Enfim, assistindo à transformação do grotesco em arte; à louvação da barbárie, da desordem e da violência como fatores acoplados à liberdade democrática; à hipocrisia, à mentira e à corrupção como fenômenos inerentes às práticas políticas, só nos resta enfatizar que o verdadeiro sucesso se resume em conhecer o nosso propósito na vida, crescermos para atingir o nosso potencial máximo e lançar sementes que beneficiem outras pessoas, cientes de que a certeza da escuridão costuma doer-nos menos que a falsa promessa de luz!
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

DESENGANOS DO ESCRITOR INDEPENDENTE


Carlos Lúcio Gontijo

Nos últimos meses, fomos convocados para a elaboração de vários prefácios destinados a livros editados de maneira independente, com os autores custeando a cara impressão de sua obra. Jamais nos passou pela mente qualquer negativa, pois bem sabemos das dificuldades enfrentadas pelos autores independentes, que são explorados tanto pelos abusivos preços estabelecidos pelo setor gráfico quanto por sanguessugas – os eternos oportunistas e aproveitadores de plantão, que habitualmente procuram pegar alguma carona no esforço alheio.

Depois, uma vez lançado o livro, que geralmente não proporciona retorno financeiro algum, deixando ao escriba apenas a impagável sensação de contentamento e dever cumprido com ele mesmo, sob a certeza de que a arte literária não é fio condutor de sucesso de geração espontânea ou imediata, ficando à mercê da análise do tempo, o autor é quase sempre convidado a tomar assento em academias de letras, que são muitas e nos mais variados matizes (e motivações) Brasil afora.

Nós mesmos somos membros de algumas academias (ALB-MARIANA, AVSPE, ACADSAL, ALTO, Poetas del Mundo), porém todas elas têm a ver com nossa trajetória e nelas inserimos nosso nome dispostos a honrá-las com a continuidade do trabalho literário que nos conduziu à deferência do chamamento. Ou seja, não nos colocamos dispostos ao exercício de atividades que nos subtraiam o foco, afastando-nos do caminho de constante criação que nos possibilitou a edição de 13 livros e, agora, a preparação do romance “Quando a vez é do mar”, para o ano que vem.

Da nossa parte, nos consideramos bastante bafejados pela sorte, pois conseguimos nos cercar de bons, honestos e sensíveis profissionais, como é o caso dos ilustradores Nivaldo Martins, Evandro Luiz, Nelson Flores, Quinho, Renato Iglésias, Ana Carolina Soares; a revisora Berenicy Raelmy, o mestre em informática Tomás Duarte Murta, que presta assistência ao nosso site, e tantas outras pessoas de elevado caráter. Muitos são os novos autores independentes, marinheiros de primeira viagem, que padecem nas mãos de divulgadores, diagramadores, ilustradores e gráficos inescrupulosos, que, por não serem movidos pela chama do idealismo (e, acima de tudo, desinformados), avançam no “bolso” roto dos talentosos, desprendidos e compromissados artistas da palavra, que ousam investir em seu sonho.

Deparamo-nos, ao longo de nossa caminhada literária, com gente que se dizia poeta e que descobrimos ostentar rica conta bancária, mas, entretanto, não se dispunha a arriscar nem apostar qualquer tostão de sua polpuda aplicação financeira no talento de que se proclamava detentora e que lhe outorgava o direito de dar palpite, criticar e se intrometer até em lançamento de livro para o qual em nada concorreu. Contudo, para compensar, encontramos no âmbito da literatura pessoas dotadas de dignidade e comportamento ético, como Terezinha Casasanta, Regina Morelo, Luiz Cláudio dos Santos, João Silva de Souza, Ádlei Carvalho, Harildo Norberto Ferreira, Efigênia Coutinho, Andréia Leal, Delasnieve Daspet, Antônio Fonseca, Sulamita Coelho, José Estanislau Filho, Ieda Alkimim e tantos outros mais, numa prova de que nem tudo está definitivamente perdido.

É objetivo quase impraticável misturar-se ao meio cultural sem se machucar amargamente por dentro com a mesquinharia dos confrontos e despropositadas exclusões ou afastamentos sumários semeados pelo disse me disse de grupelhos e pelas famigeradas “igrejinhas” literárias, onde os sinos da vaidade, do egoísmo e da arrogância jamais param de tanger e as fotos nos mostram sempre a mesma patota e os mesmos cenários subsidiados geralmente com recursos públicos.

Evidentemente, como acima registrei, existe gente boa no meio cultural, todavia, como em qualquer outra área, é preciso ir devagar com o andor, pois a palavra, como o santo, é de barro avivado pelo sopro mágico da poesia, podendo quebrar-se por atitudes e atos errôneos, ou equivocados, que levem em conta apenas o predomínio do brilho material, como se deu recentemente com a direção da Academia Brasileira de Letras, que contemplou o jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho com medalha, em ruidosa sessão solene. E, convenhamos, caros leitores e leitoras, se assim é na festejada e pomposa ABL, imaginemos nas demais entidades em que se abriga uma promissora gama de bons poetas e escritores brasileiros!

Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

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domingo, 28 de agosto de 2011

DE VOLTA AO PASSADO

(Foto Roberto Lamparina)

Roberto Lamparina

Os língua-preta que disseram que os coqueiros estéreis da Rua Amazonas de nada servem estavam completamente enganados. Bem como aqueles que disseram que a revitalização da Rua Amazonas diminuiu o espaço de estacionamento... Só se for dos carros, pois pra carrinho de tração animal, o projeto está sob medida, cabe certinho um carrinho no vão dos coqueiros. Até parece coisa premeditada... Se bobear, algum poeta faz música - Quem sabe entre um coqueiro e outro a gente se afinize e comece a encostar...

Não sou engenheiro, muito menos arquiteto, mas o espaço me parece perfeitamente hábil para uma manobra perfeita. Se fosse exigência do patrão não teria saído assim tão perfeito. O melhor de tudo é que, uma caminhonete precisa fazer manobra pra dobrar as esquinas e estacionar nas vagas reduzidas e disputadas, mas os carrinhos de tração animal, não. Dá pra se estacionar numa única manobra, logicamente dependendo da perícia daquele que está mandando os beijos!!!

Outra curiosidade que notei, foi a de que os projetistas esqueceram de construir os bebedouros (vascas, como se dizia antigamente) para os animais, mas com jeitinho acho que dá até para adaptar àquelas lixeiras em vascas. Aí tudo ficará perfeito, exatamente como no início. A diferença é que no início era só fincar uma lasca de aroeira ou angico (madeiras abundantes da época) no chão e já estava pronto o mastro para a amarração do cabresto. Talvez os mastros de hoje tenham ficado um pouquinho mais caros, mas ficaram muito mais elegantes, temos que admitir. Teve gente dizendo até que seguiu conceitos paisagísticos parecidos com os de um vilarejo da França?!?!?!

Sei lá, nunca fui à França, mas fico feliz que nesta inocente imagem aí, alguém tenha encontrado alguma utilidade para aqueles coqueiros, pois até agora eu já tinha arrebentado os meus dois neurônios e não havia vislumbrado sequer uma.

Resta-nos somente uma pergunta – Será que pagou Zona Azul???

COMENTÁRIOS SÉRGIO GIBIM ORTEGA
Meu amigo Roberto Lamparina, puxa, eu gostei e tenho que publicar aqui. Se tem uma coisa de bom é nós relembrarmos o passado. É a única coisa que uma administração nos satisfaria muito. Pois não como gostar dos melhores momentos de um tempo que não volta. Parabéns pela flagante idéia.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

PARAFUSO LEGAL


Carlos Lúcio Gontijo

Normalmente, nossos folclores político, literário e musical acabam por nos mostrar a face psicológica e cultural da sociedade. Há no povo brasileiro uma forte determinação de driblar as leis. Até aqueles que têm o comando da economia e do capital nacional se acercam de assessores para estudar possíveis brechas, então chamadas legais, a fim de se beneficiar em seus negócios.

Há anos, assistimos ao governo brasileiro se utilizando das medidas provisórias, admitidas pela Constituição em caso de relevância e urgência. Mas, pelo visto, nunca vivemos tantas relevâncias nem tamanhas situações urgentíssimas, com o governo exagerando no uso do instrumento das medidas provisórias, visualizado por ele como tábua de salvação capaz de lhe proporcionar algum espaço de governabilidade, diante de um Congresso dividido, onde a base aliada age como se tivesse licença para fazer do fisiologismo político uma moeda de troca. Ou seja, no final das contas, o governo não pode contar nem com a oposição nem com os próprios aliados, criando a imagem surrealista em que o rabo abana o cachorro.

Há no folclore político mineiro um caso que bem situa nosso menosprezo, ou mesmo um inegável relacionamento de disputa com as leis. Contam que Raul Soares, à época presidente estadual de Minas Gerais (1922-1924 – morreu no exercício da função) e que foi o único civil a ocupar o cargo de ministro da Marinha no Brasil, viu-se obrigado a chamar até a capital mineira um de seus compadres, correligionário e coronel político, para uma acanhada advertência.

Olha compadre, dizia de forma estudada o governador, você está excedendo-se na região. Chegam-me constantes reclamações e vamos acabar usando os rigores da lei contra você, a fim de não prejudicar nossa imagem diante das pessoas e demais autoridades do Estado e do país.

Sem pestanejar nem vacilar, o simplório coronel do interior saiu-nos com essa pérola: “Uai, compadre Raul, usar a lei bem que você pode. Mas lei pra nós não é prego fixo na parede como você imagina na sua boa intenção de homem público. Lei pra nós é um parafuso: a gente torce pra lá, pra cá... como bem entender”. Despediu-se, foi embora e deixou Raul Soares perplexo com aquela maneira singela e até mesmo filosófica, mas irrefutável, de expor a realidade cultural e psicológica do relacionamento de nossa sociedade com as leis, sempre mais dependentes do senso comum (e moral) dos cidadãos que da capacidade e competência do legislador.

Dessa verdade cultural não fogem as pessoas mais humildes, as autoridades constituídas e presidentes. Pode-se dizer que a descoberta da ilegalidade nada mais é que pôr às claras a tentativa frustrada da tradição de se procurarem lacunas nos textos legais. Não foi à toa que a nossa Constituição desceu a níveis descritivos e terminou ostentando toda aquela extensão, pois sabiam os constituintes que a nossa sociedade é mestre em sair pela tangente e ludibriar títulos, artigos, parágrafos, incisos etc.. Todavia, quando pegos com a boca na botija, em plena prática de corrupção ou do famigerado levar vantagem em tudo, posamo-nos como inimputáveis e fazemos cara de menor de idade ou simplesmente não responsáveis por nossos atos e até desconhecedores da lei que ousamos desparafusar e torcer (e distorcer) segundo o nosso inconfessável desejo.

Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

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domingo, 14 de agosto de 2011

AO DIA DOS PAIS



PAIS SEPARADOS...


Cada um tem seu destino
Pagamos não sei porque
Nasci de pais separados
Sem nunca isto entender

Vivi vinte e quatro anos
Para então eu ver você
Nem ao menos uma foto
Pra eu poder te conhecer

Um maxilar contraido
Um rosto triste e marcado
De tanto brigar com o tempo
Pelos teus anos roubados

Mesmo sabendo ser o meu pai
Por ele eu não senti nada
Vi uma simples criatura
Num canto da sala encostada

Se você é separado
Preste atenção no que faz
Procure reparar os teus erros
Pra poder viver em paz

Eu ainda tento ser feliz
Mas me faltam certos agrados
Pois sempre falta carinhos
Quando os pais são separados

AUTORA : SÔNIA LOPES

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A POESIA DE ORIDES SIQUEIRA

MOMENTOS

Na curva suave de um quadril
Cabelos longos e molhados
Imponderáveis fantasias
Um flesh agradável de nostalgia

Seu corpo em chamas
Bela paisagem ofuscada por panos
A sombra de uma foto ao passar dos anos
Mãos nas mãos, face a face, se foram mil planos

Tudo passa e eu permaneço
Com teu amor sigo sonhando
Sonhos com delírios
Por teu querer chamando

Na memória momentos
Eu lembro que me lembro
Que você não lembra mais
De momentos quase fatais

(Orides Siqueira)

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Lágrimas de Pedra
Areia nos olhos arde,
É como ferir o coração
A alma ferida que sofre
Peso de pedra, decepção

Pedras trocadas não criam caminhos
O poeta bom esta sempre sozinho
Guarda as pedras contra-atiradas
Para ornamentar o jardim de sua emoção

Chora lágrimas de pedra
Nossa ardente paixão
Segue teu caminho de rocha mesmo que na solidão

Não seja a atenção em despreso
Somos do mundo a poesia
Como pedras seguras na mão.

( Não seja nossa causa a causa da nossa dor)


Cesar Moura

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domingo, 7 de agosto de 2011

E-MAIL GROSSEIRO DE UMA ENTIDADE SE UNIDOS PELA PAZ DO MUNDO

Sérgio Gibim Ortega

Nos últimos dias fiquei muito chateado novamente, por participar de um certo grupo que se diz poetas unidos pela paz do mundo. Eu não vou citar os nomes. Mas queria passar minha experiência para os escritores que entram em certos grupos, ou associações de entidades.
Eu entrei, e hoje acredito que certas organizações, se escondem por trás de políticas.
Não tem como entender a tamanha grosseria do certo grupo, quanto tentei um contato apenas para lhe entender as respostas que buscava. Por duas vezes que escrevi, ouvi só desabafos grosseiros. Tem gente neste mundo que é muito ruim... Tem gente ainda carrasco neste mundo.
Pois a tal pessoa que comanda esse grupo aqui no Brasil, me deixou dúvidas, se ela entrou nesta organização, ou não... Se é ela mesmo que me responde os e-mails por tal grupo. Porque a tal pessoa se denomina uma poetiza, onde trás belas poesias e seu nome aparece em nesse tal grupo, nesta organização de poetas unidos pela paz.
Agora, como dizer se é poetas dedicando a paz pelo mundo. Porque, no Brasil eu já vi publicar muitas críticas à política do País. Ou será que por detrás da organização, apenas no Brasil tem esse falso grupo.
Pois o e-mail que escrevi educadamente buscava uma resposta, para tal trabalhos dos poetas. E a tal pessoa disse que eu estava jogando pedras nela.
Publiquei sim sempre meu nome levando a tal entidade, sempre que possível. Mas a tal pessoa, diz que não publiquei. Deixei o nome da entidade na antologia em que participei de “Prosa e Versos”. Procurava sempre divulgar do melhor tempo que fosse possível. Enquanto os meus trabalhos que enviava ao grupo, quase sempre não era publicado. E eu sei porque. Tudo é o medo de a gente vencer. Aí se nega a publicar... Então fui perguntar ao grupo e recebi e só recebi pauladas.
Quando comecei a escrever em 1982, e já em 1987, escrevi naquela época, uma mensagem chamada “Ser Poeta” e na mensagem fala o que é ser poeta. Como se denomina um poeta, que só vive a fazer o bem e trazer amor, e paz. Mas a tal poetiza com vem com tamanha grosseria.
Então meus queridos amigos e escritores. Eu, na minha época dos anos oitenta, recebi muitas cartas de entidades como Casa do Poeta, Movimento Poético em São Paulo, Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, e estas entidades, que até mesmo deixei de pagar anuidades, porque na época não tinha condições financeiras de levar adiante, mesmo assim elas me respeitavam, e me escreviam, e respondiam minhas cartas com carinho e respeito. E hoje ao participar desses grupos pela Internet, sou recebido com pauladas. Veja também que eu já escrevi esperando pauladas, e até por isso usei mais a minha educação... Mesmo assim a resposta não foi de certa educação.
Então amigos, não entrem em grupos que se disfarçam dizendo que é de escritores. Mas eu sei! Eu também tomo cuidado com vírus, mas acabei entrando nesse grupo errado. E não procurei. A gente é que recebe estas porcarias de convites e acaba entrando.
Mas, eu também pecos a vocês amigos escritores, não participem de antologias, como eu fiz, por editoras que venderão seus livros e ganharão encima, enquanto você compra por um preço alto e nunca conseguirá vender pra tirar o seu lucro. Valorize o seu trabalho. É por isso que fiz o meu próprio livro. São livros artesanais... Livros meus... Gastos meus... Mas se for para divulgar o seu nome, tudo bem. Também é preciso sim. Mas tome cuidado com certos grupos.
Simplesmente, era muito simples escrever educadamente e eu entenderia.

VEJA O E-MAIL QUE ENVIEI

Se duvidas, este também não vai ser publicado. Mas esta crítica, se tem uma razão! Sou Cônsul de... (nome não divulgado) por Votuporanga-SP. Grupo este, que divulgo com muito carinho sempre que, na medida do possível. Porque não vivo só do Grupo. Tenho outros deveres a fazer. No início, convidado pela amiga e... (nome não divulgado), Embaixadora Universal da Paz, fui nomeado, e tentava entender o Grupo, para poder assim participar melhor das atividades. Por um bom tempo não tive respostas. E sempre ao observar o Grupo e o site de... (nome não divulgado), notei que, era apenas um movimento de Poetas unidos pela paz. No início tentei participar com o Grupo, que era outro chamado “...(nome não divulgado)" e notei que havia publicações sobre políticas. Então, certas publicações minha que eu enviava, não eram publicadas. E aí, fiz uma crítica do Grupo, e no meu modo de entender, uma crítica construtiva. O por que não estava sendo publicado os meus interesses também e publiquei no meu blog. Olha! Pois recebi um e-mail de desafeto em nome de... (nome não divulgado), dizendo que eu não participava das publicações, entre outras coisas. Mas hoje, até penso que não foi... (nome não divulgado) e que me enviou aquele e-mail. Porque vejo nela uma pessoa muito boa, está em todas as minhas comunidades de amigos e apenas dirige um Grupo. E estou prestando atenção. O nome do Grupo "... (nome não divulgado)" não recebi mais. Até hoje ainda creio ser Cônsul por esta minha cidade. Porque sempre teve em...(nome não divulgado) o link e minha foto. Mais tarde, vim a saber o que significava e o que tinha que fazer um poeta do movimento, porque encontrei uma amiga Cônsul de Fernandópolis, e ela falava do que em sua publicação, o que nós poetas e escritores tínhamos que fazer, por ser Cônsul. Mas hoje, estou fazendo uma crítica educada e construtiva, esperando não receber mais pauladas. Notei que sempre tenho publicado também o que me interessa, e procuro levar o nome de... (nome não divulgado), inclusive numa antologia que participei. "Poxa vida"! É pouco, mas não vivo de... (nome não divulgado) "ente aspas", preciso ser divulgado também. Pois, o pouco que divulgo, não teria outro desta cidade que faria isso. E se tiver, com certeza, passaríamos o cargo então. No entanto, o grupo sempre divulga o link; "publicar seus trabalhos". Que! Não vejo sempre que envio alguma coisa dos meus trabalhos. Só algum de interesse do Grupo. Pois, ao entrar agora no meu link de Poetas... (nome não divulgado), notei que está desarrumado. A foto minha sumiu. Vejo que ainda tenho meu nome lá e minha poesia, em um outro link, mas, sem a foto. Então, eu estava divulgando meu link errado. Mas vejo ainda, que sou do movimento. Eu não vou dizer mais nada, não vai adiantar. Pois tudo que vivemos hoje em nossa vida é assim, "Venha a nós, a vosso reino nada". Sérgio Gibim Ortega CÔNSUL... (nome não divulgado) MUNDO DE VOTUPORANGA-SE ACREDITA AINDA

VEJA O E-MAIL GROSSEIRO QUE RECEBI

Bom dia Poeta Gibim!! Cônsul de Votuporanga-SP Pior que eu sempre mando teu material ne Gibim ? Ocorre que temos - só no Brasil - 2800 associados e não posso enviar somente de um. . E, mais NÃO RECEBO NADA DE NINGUEM PARA DIVULGAR NINGUEM - faço no meu tempo livre e porque gosto. Vai dai acho que a rua tem mão dupla - e cá para nos nós, eu nunca vejo voce me divulgando, POR EXEMPLO, ALIÁS, SÃO POUCOS OS QUE DIVULGAM MEU TRABALHO ou mesmo que colocam abaixo do seu email o seu endereço de... (nome não divulgado) que é a condição sine qua non para eu publicar qualquer matéria. . E não misture a poeta... (nome não divulgado) e seu trabalho de poesia e os seus grupos de poesia com... (nome não divulgado)- que são pessoas e entidades diferentes. Eu já existia antes de... (nome não divulgado) - que começou em 2005 e continuarei a existir se de repente Poetas... (nome não divulgado) - me entendes? E nos meus grupos de poesias - quem não participar dos exercicios não fica. Antes de responder fui ver em quais varais ou ouro exercicio voce deixou um poema - NÃO EXISTE NENHUM! Foi por isso que voce saiu ... (nome não divulgado) O Grupo de Poesia... (nome não divulgado) e os meus sites - são meus particulares - e neles permanecem quem participa. Não estão misturados a qualquer outro grupo ou site. E, este ano - no dia 20 de novembro - farão onze anos interruptos de funcionamento - as minhas exclusivas espensas. . Alias, hoje movimento... (nome não divulgado) foi sucedido pela Associação Internacional Poetas ... (nome não divulgado) que eu presido - mas como tudo - se não tiver vontade não acontece. . Então não jogue pedra - se voce não esta fazendo a sua parte - até hoje Gibim eu não fui chamada por voce ou pelo seu consulado para absolutamente nada em sua cidade. Voce divulga apenas voce, como a grande maioria, alias. . Não sou melhor que ninguém - mas não dou a ninguém - que não esteja fazendo anda pelo movimento ou por mim - o direito de me jogar pedras. . Não dou a outra face - isso quem fez foi o Filho de Deus - e a santidade esta longe de meu ser que ainda está se aprfeiçoando e que ( acredito nisso de fato!) devo retornar para burilar-me ainda mais. Tenha um bom dia de Paz&Luz. ..... (nome não divulgado), Poeta, Essencialmente

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os navios “aguadeiros”

Carlos Lúcio Gontijo

Enquanto milhares de quilômetros quadrados de florestas e matas são devorados na Amazônia, nos cerrados e na Mata Atlântica, trazemos na memória operações descabidas da Polícia Florestal, como aquela em que ocorreu, em julho de 2000, a prisão de um agricultor analfabeto e desinformado em Brasília que raspava, completamente desavisado, o tronco de uma árvore em reserva florestal, a fim de aliviar os males de que padecia sua mulher.

A Justiça houve por bem afrouxar a prisão do infeliz agricultor, que segundo as leis brasileiras cometera crime inafiançável e com punição imediata, sentenciando que o suposto agressor da natureza fosse “liberado” e se comprometesse a plantar cem mudas de árvores no decorrer dos dois anos seguintes, veredicto que lograsse ser repetido, com o mesmo esmero e velocidade, contra as madeireiras e mineradoras se transformaria em mecanismo capaz de promover o reflorestamento de grande parte das áreas devastadas Brasil afora.

Entretanto, as madeireiras e as mineradoras (estas, além da depredação ambiental, cometem a ousadia e o milagre de mover mais montanhas que a fé, como é exemplo a Serra do Curral, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais) seguem tranquilamente suas ações depredatórias sem a devida punição nem o retorno econômico-financeiro proporcional ao nível de destruição que provocam, uma vez que seu regime extrativista beneficia uma meia dúzia de pessoas em prejuízo de toda a comunidade.

Não existem, certamente, setores que sejam exemplos mais perfeitos do que os de madeira e mineração em matéria de demonstração de como individualizar lucros e socializar prejuízos – à exceção, é claro, da área financeira, onde banqueiros nunca quebram e poucos ganham quando as bolsas sobem; porém, quando algo não vai bem, todos os danos são divididos até com gente sem conta em banco ou que jamais aplicou (ou jogou) no setor bursátil.

As questões relativas ao meio ambiente e indígena no Brasil são povoadas de teorias ingênuas e descabidas, como é o caso daqueles que veem a Amazônia como um jardim botânico para os mais bem-aquinhoados fazer turismo ecológico ou confortável safári; ao passo que visualizam os índios como uma espécie de seres de segunda categoria, que devem ser mantidos distantes da civilização, sem escola, sem antibióticos, sem computadores, sem televisão, sem eletrodomésticos, sem meios de transporte, como se não passassem de simples animais a ser preservados por agentes e missionários, que os têm em conta de matéria-prima de seu trabalho filantrópico, através do qual se realizam financeiramente ou se tornam credores de um lugar no “Paraíso”. Em suma, o que há em torno das florestas, da extração mineral e das nações indígenas são interesses inconfessáveis e uma desmedida exploração.

O chamado Primeiro Mundo já anda conspirando e de olho na enorme quantidade de água doce existente na Amazônia, onde estão 80% das reservas do Brasil, habitada por tão-somente 5% da população nacional – índice que os países que dão as cartas no mundo querem manter ou até mesmo diminuir, garantindo-lhes desde já o acesso e a ocupação fáceis, pois se prevê que, em 50 anos, a água terá para a humanidade valor bem superior ao do petróleo e, dada a sua escassez, imaginam-se frotas de navios “aguadeiros” transportando água potável mares adentro, quando tentarão impor-nos a internacionalização, afirmando-nos enfática e belicosamente que não temos direito a tanta água nem tanta floresta, perante um planeta Terra superaquecido e gemendo por oxigênio e água de beber.

Carlos Lúcio Gontijo

Poeta, escritor e jornalista

www.carlosluciogontijo.jor.br

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

A DESEDUCACAÇÃO OFICIAl

Carlos Lúcio Gontijo

(...)Nada disso deve tirar-lhe a iniciativa boa e salutar de continuar apostando espontaneamente na pessoa, no ser humano iluminado, que não pode ser desacreditado. (Trecho extraído do romance “O Contador de Formigas” – CLG/1998) Não resta a menor dúvida de que a ditadura militar contribuiu para o aniquilamento de toda uma geração no tocante à formação de novos líderes, para a criação de um ambiente propício ao alastramento da erva daninha do Estado negocista e aético, semeado pelo neoliberalismo econômico e fertilizado exatamente no vazio de sentimento de nação e filosofia de espírito coletivo. Inacreditavelmente, se levarmos em conta os elogios que são feitos nas colunas e páginas necrológicas dos meios de comunicação em homenagem a cada político que morre, não dá para entender como a corrupção, o fisiologismo, os intermináveis escândalos e a malversação do dinheiro público sejam assuntos corriqueiros do noticiário jornalístico. Até parece que político morto se torna imediatamente em político bom! Vivemos uma democracia ainda firmada em alicerces fincados na areia movediça do autoritarismo. Nosso ensino permanece sob uma estrutura pedagógica avessa ao incentivo crítico, com a escola visualizando no estudante questionador um aluno-problema. Grande número do contingente de professores brasileiros foi instruído dentro de um regime que abominava os livros, censurando todos os autores e obras literárias que contestavam suas práticas discricionárias. E, infelizmente, passados os anos ditatoriais, o novo regime, então deliberada e democraticamente, também não cuidou da educação, deixando os professores ao deus-dará dos baixos salários e, portanto, sem condição de comprar livros além dos necessários ao tema curricular ou buscar cursos de aperfeiçoamento. Cremos que a forma deturpada com que se conduz o ensino hoje – transformado em fábrica formal de diplomas, por meio da qual jovens que mal sabem grafar o nome vão engordar as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam a queda do analfabetismo no Brasil – explica de forma clara o porquê da existência de tantos estudantes que leem, mas não entendem o conteúdo do texto, apesar de se encontrarem prestes a sair do ensino fundamental, ao qual terminam sem dominar a escrita e a leitura. Fala-se muito em campanhas voltadas para o estímulo à leitura, porém o governo, por intermédio do MEC, envia às escolas um pacote de livros escolhidos por uma comissão de notáveis intelectuais (sabe lá Deus movidos por que forças estranhas!), desrespeitando usos, costumes e linguagens regionais desse vasto Brasil. Certamente, com tal procedimento, leitores potenciais são desestimulados logo ao contato com o primeiro livro, exatamente pela inexistência de proximidade. Lembramo-nos de que entre os 1990 e 2000, os leitores-mores, sob o pálio de oficial sabedoria (como ainda agora acontece), selecionaram 100 títulos destinados à biblioteca básica de todas as escolas de ensino fundamental, cometendo inclusive o desatino de não incluir um livro sequer versando sobre ciências; contudo indicaram “Os Sermões”, de Padre Antônio Vieira, e “As razões do Iluminismo”, de Paulo Rouanet. Indubitavelmente, o hábito e o gosto pela maquiagem é um procedimento herdado dos tempos de ditadura militar, em que os generais se revezavam no comando da Nação brasileira, na tentativa de dar um aspecto democrático ao autoritarismo. O que temos de real é que, sem a democratização do acesso da população a ensino de qualidade (não basta garantir vaga em escola), a democracia jamais será regime de fácil materialização em nosso dia-a-dia, uma vez que não raro as urnas são usadas para ungir administrações danosamente autoritárias, que se utilizam do sufrágio que lhes é concedido pelo voto popular e agem como se fossem ditadores iluminados pelo histórico divino poder dos reis.

Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

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