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segunda-feira, 11 de junho de 2012

TEREZA

        
                         Sérgio Gibim Ortega
Trabalhando como montador de móveis, conhecia tristes histórias.
Um dia ao estar numa cidade, numa residência para montar um guarda-roupa, quando uma moça abriu a porta. Ao ver o montador que chegara para montar seu móvel, de repente esta mulher se, pois a chorar.
Ao saber o motivo.  Disse ela:
- “Moço!” - Estou chorando porque não vou mais montar este móvel. Ia me casar. Tive uma briga com meu noivo. E nos separamos. Ganhei este guarda-roupa do meu noivo. E o pior de tudo, ele agora se encontra numa cirurgia. Esta entre a vida e a morte.
Ela chorava com medo da separação. E pior de tudo, chorava com medo da sua morte, por estar adoentado e quando se encontrava numa cirurgia.
Naquele dia não cheguei de montar seu guarda roupa.
Ela disse ainda:
- “Seu moço!”- Ore por para ele e pra que ele sobreviva!
Dias depois, fiquei sabendo que o seu noivo havia falecido. Nunca mais a vi. E o guarda-roupa não foi montado.
Um dia estive em outra cidade. Peguei outra pessoa aos prantos. Uma moça jovem que também chorava muito. Ela estava com uma criancinha nova nos braços, e disse:
- “Seu moço!” - O meu marido acaba de ser morto lá na outra cidade em que estivemos. Saiu para ir a padaria comprar cigarros. Foi assaltado e levou uma facada de leve, mas não resistiu e faleceu. O ladrão fugiu. Meu marido acaba de ser enterrado. E fiquei com essa criancinha, este fruto do nosso amor. Montei o guarda-roupa, enquanto aquela jovem chorava desesperadamente tempo todo.
Durante os dois casos, pouco pude fazer para dar o meu consolo. Apesar de poeta, minhas palavras não saiam. Sentia a dor de ver aquelas pessoas sofrerem. Pouco pude consolar.
Foram tantas histórias tristes pelos caminhos encontrados, do tempo em que fui montador de moveis. Mas uma história me marcou tanto a de Tereza... Tereza, uma cabelereira, mulher lutadora e guerreira pela vida.
Ao instalar uma cozinha na parede, ela sempre chamava o seu filho único que tinha para sua opinião. O jovem e aquele seu filho único, era toda alegria que Tereza tinha. Ele estava noivo, rapaz muito educado, ia se casar.
Após instalar a cozinha na parede. Disse Tereza:
-“Gostei muito do seu trabalho!”- Se quiser cortar o seu cabelo, não cobrarei nada por isso. Sente-se ali na cadeira e cortarei pra você de presente, pelo trabalho que me prestou. Precisando mesmo de cortar, decidi aceitar a gentileza de Tereza. Sentei -me naquela cadeira, onde Tereza, uma ótima cabelereira cortou o meu cabelo do jeito que eu gostava. Ela era caprichosa e tinha grande freguesia no bairro.
Conversa vai... Conversa vem... Tereza contou sua história de vida:
-“Sou uma mulher sofrida e batalhadora” - Tive um marido que era matador de aluguel. Ele matava pessoas na minha frente. Tinha uma nacionalidade muito ruim. Sofri muito na mão daquele homem. Só não largava dele por medo que ele me matasse também. Esse único filho que tenho. É dele, que é tudo de bom que me restou na vida. Nós nos separamos na hora certa, quando tive uma chance de não morrer nas mãos dele. Ele era um carrasco. Tudo que ele tinha de ruim, esse meu filho tem de bom. Este ex-marido era também cabelereiro. Pois ele cortava cabelo com o revolver na cintura.
Tereza era bonita, alegre e tristonha. E homem nenhum  bulia com ela. Uma cantada, a navalha já estava no pescoço. Cabelereira séria e não tinha como duvidar dessa triste história que ela contava ter vivido. E quando a gente não queria acreditar, notava a sua seriedade, o seu jeito de mulher séria, e suas conquistas. Não tinha como negar o que ela passou.
E assim fiquei conhecendo melhor Tereza. Quando precisava cortar meu cabelo, recorria ao seu salão e pagava pra ela. Ela chegou de conhecer minha esposa, e cortou o cabelo do meu filho também.
Um dia estive no salão e Tereza disse:
-“Quase perdi meu filho” - Uma doença terrível e má, inexplicável. Ele emagreceu tanto. Foi por Deus que consegui salvar meu filho.
Foi últimas palavras que tive de Tereza.
Um tempo passou, meu cabelo cresceu e demorei de voltar ao salão. Demorei pra voltar ao salão de Tereza por uns dois meses aproximadamente.
O tempo passa depressa, foi quando um dia pensei de ir lá. Juntamente com minha esposa, resolvi passar no seu salão em sua residência.
Ao chegar, notei o salão de Tereza vazio, e nada de flores, ou qualquer objeto na frente casa, nada na frente que indicava que ela ainda morasse ali. Notei que Tereza não morava mesmo mais ali. E já veio em minha mente o pior de tudo, o que eu não queria acreditar.
Não podia eu acreditar naquela mulher guerreira, forte e feliz cheio de esperança de ainda vencer. Como ter ido embora tão de repente, com tantos fregueses que ela tinha. Então, perguntei a um dos vizinhos, que disse:
- “Você não ficou sabendo?”. O Filho dela morreu e ela foi-se embora daqui. Vendeu, ou alugou a casa, e se mandou.
Foi muito triste de saber que o único filho que Tereza tinha, daquela triste história em que ela sempre me contara. E tudo que se acabou para ela. O jovem que estava noivo e que ia se casar, acabou falecendo por uma triste doença inexplicável, e que não me recordo no momento. Veio-me em minha mente, que nessa vida não somos nada mesmo.
Tantas histórias vividas como um montador de móveis. Umas me emocionaram, outras me entristeceram. Mas nenhuma marcou como a história de Tereza.

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