Eu vivo tentando encontrar um tempo para pegar o gerente do Porecatu de jeito, mas ele tem conseguido escapar da minha inquisição. Eu digo Porecatu, pois é o supermercado onde faço regularmente as minhas despesas essenciais do mês, mas o que eu gostaria mesmo, era de estender esta inquisição calórica para todos os supermercados da cidade.
Acontece que sou cliente do Porecatu da Avenida Brasil, desde que se iniciou ali sua atividade e como sempre faço, não utilizo para pagamento das minhas despesas, qualquer outra forma, senão dinheiro. Aí então você paga lá suas despesas no valor de R$ 321,44 e a pobre operadora do caixa têm que se desdobrar em dez para fazer o troco milimetricamente dentro da quantia especificada. Leva quatro ou cinco minutos para o ajudante-empacotador correr no balcão do controlador de fluxo de troco e, trocar alguns tostões em moedas e miúdos, depois levar para a operadora de caixa novamente que, passará o seu troco em suas mãos, exatamente o restante correspondente daquela quantia descrita pelo cupom fiscal. Ao final, quando o empacotador volta ao seu posto, você próprio já acondicionou as suas compras naquelas desprezíveis sacolinhas plásticas, tão úteis e tão inimigas da humanidade.
Num segundo exemplo, chega o sujeito em seguida, passa todas as suas mercadorias e para saldar o débito, emite aquele checão pré que, pode até ser estendido o pagamento para sessenta dias, dependendo da necessidade comercial e do calendário festivo. Não paga um único centavo sequer pelos juros e consegue efetuar esta manobra em menor tempo do que aquele que pagou as suas despesas com dinheiro, aquele papelzinho comercialmente seguro e ali na bucha, onde é só dar uma espiadinha na luz para verificar a autenticidade do papel-moeda e pronto, o valor troca imediatamente de mãos.
Aí você se pergunta – Mas, não tem uma regra básica em economia que, adverte que nas relações comerciais todo dinheiro possui um custo diário e aquele cheque pré, só se tornará dinheiro depois de cumprido o prazo entre este relacionamento de confiança estabelecido entre comerciante e cliente? Então, se todo dinheiro tem um custo e que este custo aparecerá ao final do prazo estabelecido nesta relação de confiança – Por que será que quem compra e paga com dinheiro e a vista, não tem o devido desconto em suas compras e ainda é punido pela demora no troco? Afinal não é só o custo provável até que o cheque seja compensado, como também o custo que esta relação acordada com emissão de cheque poderá causar, no caso de uma devolução, ou até de uma possível execução judicial para recebimento do mesmo.
Então, os 1, 2 ou 3 por cento variáveis nas taxas de juros praticados no comércio, sobre os desprotegidos tomadores de crédito involuntários, podem se transformar num pesadelo e num prejuízo incalculável, no caso de devolução ou inadimplência deste cheque. Por isso, e pela solidez na operação, acredito ser correto pensar em um desconto pronto na ordem de 5 por cento para aqueles que efetuam o pagamento em dinheiro, premiando-os com a sinalização de satisfação por esta transação absolutamente segura e sem riscos futuros.
No entanto, isto não acontece, pois o dinheiro daqueles que pagam por suas compras em espécie é usado para financiar o prazo daqueles que emitem o checão pré, esses sim, são agraciados com o custo zero do financiamento do prazo (zero é maneira de dizer, pois este custo já está devidamente embutido no preço das mercadorias e todos nós pagamos um pouco, logicamente sem saber).
Além do mais, a operadora de caixa não possui sequer autonomia para dar qualquer desconto, nem mesmo o mínimo para facilitar o troco, sem que isto lhe renda descontos no fechamento do seu período. Bastava um talonário de Debite-se, discriminado os centavos descontados na operação e estaria tudo facilitado para ambos os lados. Mas não, eles recebem até os míseros centavos do pobre cliente que é punido por pagar suas compras em dinheiro.
Os disparates destas pequenas armadilhas resultam em diferenças gritantes nos preços finais efetuados pelos nossos supermercados locais, se comparados a outros que tenho verificado pelas minhas andanças por todo o Brasil, onde as vendas são efetuadas somente a vista, ou na solidez e segurança garantida dos cartões de créditos e outras modalidades garantidas pelos agentes financeiros, não existindo aquela insólita viagem do cheque pré (aquele que o gerentão do banco só garante se o sobrenome oferecer robustez), bancada pelo consumidor que honra suas compras a vista e em dinheiro.
Tomando como exemplo o meu consumo, gasto algo próximo de R$ 400,00 por mês no Porecatu. Nunca lhes passei um único cheque sequer e se estivessem me beneficiando com o meu desconto possível, economizaria R$ 20,00 ao mês, R$ 240,00 ao ano, número bastante expressivo, se multiplicado pelo número de clientes que efetuam suas compras usando esta medieval e mais eficaz modalidade de pagamento.
Aí então se explica os sorteios de veículos, brindes e etc...
É por isto que precisamos abrir nossas portas para a inclusão dos grandes varejistas no comércio local, pois carregam consigo, infinitas possibilidades comerciais, sem o apego arcaico de velhas tradições comerciais regionais. Além do que, despertariam uma concorrência contínua, certamente culminando com a diminuição dos preços finais ao consumidor, pois dinheiro bom é dinheiro no bolso do consumidor e não financiando as promoções de comerciantes que iludem os seus clientes com este marketing enganoso das premiações, onde somente existe um único ganhador e o resto, todos somos perdedores potenciais.
Mas, não permitam que estes comentários cheguem aos ouvidos dos donos da cidade, pois eles recebem benefícios para que esta modalidade comercial permaneça sob esta estrutura do século passado.
Além do mais, eles acham bacana torturar as operadoras de caixa com aquela pergunta – Você não sabe quem sou eu? Naquele momento em que as pobres moças pedem o número do telefone para anotar no verso do cheque. Eles acreditam que todo mundo tem obrigação de saber quem são, mais precisamente, o cargo que ocupam, ou ainda ocuparam um dia.
Nas grandes redes de varejo não tem esta canja, não tem xiximinhanega, você paga, oferece as garantias necessárias e ninguém quer saber quem é você, de onde veio, o que acha do movimento EMO, se esteve participando do desfile no dia do orgulho gay e etc...
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